Sociedade | 04-07-2008 08:33

INAG apresenta solução para cheias em Alverca

O concurso público para a obra de regularização do rio Crós-Cós, em Alverca, vai ser lançado durante o mês de Julho. É uma obra estrutural que permitirá resolver o problema das cheias na cidade - que em Fevereiro de 2008 voltaram a provocar estragos na rua da estação onde carros e casas ficaram submersos.“Vamos fazer uma espécie de metro em Alverca com 900 metros na parte coberta. Vamos abrir tudo, desde a rua 5 de Outubro até ao centro de estágios, para permitir suportar maiores caudais”, explica o director de serviços do Departamento de Controlo de Cheias da Região de Lisboa do INAG (Instituto da Água), António Valério.O troço coberto do rio vai ser preenchido com secções rectangulares em betão. Na zona aberta será colocado um empedrado com possibilidade de ser integrado na natureza. Depois do centro de estágios o rio segue a céu aberto. Junto à estação de caminho de ferro será necessária uma intervenção ao nível do equipamento hidráulico que, garante a presidente da câmara, vai ser assegurada pela Refer. Actualmente o canal tem capacidade para suportar cerca de 18 mil metros cúbicos de água. Depois da intervenção passa a comportar mais de 40 mil metros cúbicos por segundo. O troço total da intervenção abrange mais de três quilómetros. O responsável explica que o objectivo é permitir a passagem de um caudal superior de água com possibilidade de uma cheia em cem anos e por forma a evitar situações como as das cheias de 1967 que provocaram 500 mortos só na localidade de Quintas. Essa é a maior cheia de que há notícia, mas o especialista lembra que antes disso não eram feitos registos. António Valério garante que só não é a solução definitiva porque o aquecimento global todos os dias implica mudanças. A obra é demorada e complexa e implicará mais um Inverno passado nas mesmas condições. “Muitas ruas ficarão abertas para executar a obra”, avisa.A intervenção considerada pelo INAG (Instituto da Água) como prioritária – para resolver um dos problemas mais graves do país - já era esperada há muitos anos, mas não existiam verbas que suportassem um investimento que ronda os cinco milhões de euros.O projecto foi finalmente concluído na semana passada com a colaboração de técnicos do INAG e durante o mês de Julho a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira vai lançar um concurso internacional para a sua execução.A obra vai ser candidatada ao QREN (Quadro Referência Estratégica Nacional) e a componente nacional vai ser assegurada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A presidente, Maria da Luz Rosinha, tem esperança de que o projecto seja aprovado na segunda fase do QREN que irá decorrer em Setembro para arrancar no final do ano. “É um risco, mas estamos a fazer diligências nesse sentido”, afirma. A autarca espera ainda que a solução para o rio Grande da Pipa no Carregado tenha também uma solução em vista para breve.“Muitas vezes recebi telefonemas da senhora presidente durante a noite para tentar resolver o problema das cheias”, refere o responsável do INAG, mostrando-se satisfeito por um projecto que representa o culminar de anos de luta. Tal como a presidente da Câmara de Vila Franca de Xira que considera que a obra peca por tardia. “Há muito tempo que esperamos isto”, revela.

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