Sociedade | 26-07-2008 12:34

Petição online contra desmembramento de Castelo e Convento atinge as 1500 assinaturas

A petição que se encontra a decorrer online contra o desmembramento do Castelo de Tomar e do Convento de Cristo, assunto de que já demos conta em edições anteriores de O MIRANTE, já reuniu cerca de 15000 assinaturas e continua activa "para alertar as consciências", assinalou Rui Ferreira, que lançou o abaixo-assinado.Vários investigadores e cidadãos contestam o diploma legal que impõe desde Dezembro diferentes tutelas para o Castelo de Tomar e o Convento de CristoRui Ferreira, em declarações à Lusa, afirmou pretender "chamar a atenção das pessoas para um problema que existe por desconhecimento das características do monumento". Rui Ferreira classifica a portaria do ministério da Cultura como "inaudita" enquanto que o historiador de arte Paulo Pereira, ex-vice-presidente do extinto Instituto Português do Património Arquitectónico, a considera "um absurdo". "Essa divisão não faz nenhum sentido, é um absurdo", sublinhou o investigador. Para o historiador, Castelo e Convento "cresceram juntos, estão intimamente ligados desde a fundação do Castelo à igreja e à casa da Ordem do Templo [Templários]". Rui Ferreira salientou que, "para se entrar no Convento tem de se passar pela porta do Castelo, e os Paços do Infante, que foi administrador da Ordem de Cristo, que sucedeu aos Templários, são na zona da alcáçova". "Esta portaria emana de pessoas que não conhecem o monumento", criticou Rui Ferreira. Paulo Pereira, por seu turno, disse que o diploma "vai ao contrário das actuais políticas de gestão do património, que optam pela unidade como forma de agilizar a gestão". O ex-presidente da Câmara de Tomar e actual membro da Comissão directiva do Plano Operacional do Centro, António Paiva, declarou que "só pode ser um erro" e que na altura [Dezembro último] alertou o presidente do IGESPAR, Elísio Summavielle. "Não faz sentido, qualquer pessoa que visite vê isso, é um absurdo separar essa unidade", concluiu. Também o actual presidente das Câmara tomarense, Corvelo de Sousa, afirmou que "a separação não faz qualquer sentido, é até anti-natura pois aquilo é unidade". O autarca afirmou à Lusa que recebeu "garantias" do presidente do IGESPAR, Elísio Summavielle, que "não ficaria assim e que a portaria seria alterada". Fonte do gabinete do presidente do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) disse à Lusa que "a portaria está ser corrigida e está a ser redigida uma nova que coloca toda área monumental sob tutela do Instituto". Tanto o IGESPAR como o gabinete do ministro da Cultura não prevêem quando será publicada a nova portaria. Ferreira insistiu na "diversidade arquitectónica e histórica na sua íntegra continuidade, que sustenta o reconhecimento do Conjunto como Património da Humanidade: Castelo, Convento, Cerca, Ermida [de N.ª S.ª da Conceição] e Aqueduto de Pegões". Observou ainda que a classificação pela UNESCO "diz respeito ao conjunto monumental com características únicas". "O que propomos - esclareceu - é que o Convento seja novamente unificado com o Castelo, situação que foi criada no início do século XX com a criação provavelmente original de um serviço de monumento com um guarda, dotação para obras. E desde logo, a partir do resgate de parte do edifício a particulares, considerou-se como um monumento - Castelo e Convento -, porque são uma evolução construtiva, tem a ver com a evolução do Templo e mais tarde da Ordem de Cristo e a sua reforma [1789] e são uma única habitação da Ordem do Cristo até à sua extinção [1834]". O autor da petição alertou também para "o estado em que está o Aqueduto de Pegões, que é uma parte integrante do Convento de Cristo, que está classificado desde 1910, mas apenas na sua parte mais nobre, na zona dos Pegões Altos". "Todo o resto da paisagem, a zona das nascentes as áreas que são tecnologicamente interessantes para a história da hidráulica, estão completamente a saque, são objecto discricionário das pessoas que usam os terrenos, e é este um pouco o estado do património", alertou. Segundo uma nota do IGESPAR, "o Convento e Castelo Templário, em Tomar, formam um conjunto monumental único no seu género".

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