Sociedade | 30-07-2008 20:11

Prisão preventiva para cinco suspeitos de tentativa de homicidio e roubo a polícias

O Tribunal Judicial de Abrantes decretou hoje a prisão preventiva, a pena máxima das medidas de coacção, aos cinco indivíduos que na madrugada de sábado neutralizaram e agrediram dois polícias, apoderando-se de uma shot-gun. Segundo disseram as duas advogadas de defesa dos detidos, Isabel e Alexandra Mendes, o despacho que determinou os termos de coacção "baseou-se nos crimes de tentativa de homicídio, roubo e condução ilegal". As causídicas consideraram "desproporcionada" e "muito pesada" as medidas de caução aplicadas ao conjunto dos detidos afirmando admitir a prisão preventiva "para um ou dois dos suspeitos". "Se esta medida fosse aplicada a um ou dois dos elementos do grupo ainda poderíamos aceitar mas à totalidade dos elementos do grupo consideramos uma decisão demasiado pesada", afirmaram. Segundo disse hoje à Agência Lusa fonte policial, o grupo de cinco individuos agora detido e que fica a aguardar julgamento em prisão preventiva (com idades compreendidas entre os 23 e os 35 anos e com relações familiares entre si) "têm quase todos antecedentes criminais sendo muito agressivos e violentos". Segundo disse, "ainda no Entroncamento um dos individuos chegou a carregar no gatilho da shot-gun roubada aos agentes policiais tendo valido o facto da arma não estar municiada". "Foi claramente uma tentativa de homicidio a um agente policial por parte de gente que não presta e que provou não ter nada a perder", afirmou. Fonte da autarquia de Abrantes disse hoje à Lusa que o grupo de indivíduos, que já estava referenciado pela PJ, PSP e GNR em várias casos de roubo e agressão, "provém de famílias desestruturadas, sem profissão certa, que vivem em casas atribuidas pela Segurança Social e do Rendimento Social de Inserção". "É gente má, zaragateira e conflituosa", afirmou. A intervenção inicial da patrulha da PSP, na madrugada de sábado na cidade do Entroncamento, ocorreu depois de denúncias que apontavam para a presença de "indivíduos suspeitos", todos homens e aparentando idades entre os 18 e os 30 anos, numa viatura de cor cinzenta, num local onde habitualmente param carros com casais de namorados. Os agentes trajados à civil dirigiram-se ao local, uma área da cidade do Entroncamento pouco movimentada, cerca das 02:00 de sábado, e, quando se preparavam para abordar os dois indivíduos no interior da viatura, foram surpreendidos por outros três elementos que estavam escondidos no meio de ervas e arbustos , um deles empunhando uma caçadeira de canos serrados. Quando tentaram neutralizar os polícias a paisana e entrar na viatura descaracterizada usada pelos agentes, estes reagiram, tendo um deles sido agredido com uma coronhada nas costas. Os indivíduos partiram ainda o pára-brisas da viatura policial descaracterizada e, no confronto com os agentes, conseguiram apoderar-se da shot-gun que um deles empunhava, fugindo no carro cinzento. Durante o confronto não chegou a ser disparado qualquer tiro embora fonte policial tenha afirmado à Lusa que "um dos detidos chegou a carregar no gatilho, sem sucesso, devido ao facto da arma dos policiais não estar municiada". Os dois agentes receberam tratamento hospitalar a ferimentos ligeiros, tendo tido alta. A perseguição que se seguiu ao grupo, no dia seguinte, ao início da tarde, resultou num tiroteio em Abrançalha-de-Baixo, freguesia de S. Vicente, e acabaria por deixar gravemente ferido um elemento do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP, em Abrantes. Três elementos do grupo foram detidos de imediato, um outro fugiu pelas ruas da povoação e o quinto elemento barricou-se em casa de familiares residentes em Abrançalha-de-Baixo. Poucas horas depois acabaria por entregar-se às autoridades policiais sendo que, ao cair da noite, acabaria por ser detido o quinto e último elemento do grupo depois de detectado no meio da população da aldeia, onde se havia refugiado. O agente do GOE ferido e atingido a tiro no baixo ventre foi transportado para o Hospital de Abrantes onde foi submetido a uma primeira intervenção cirúrgica, sendo evacuado para o hospital de Santa Maria, em Lisboa. O agente - ferido a tiro na zona das virilhas - encontra-se estabilizado e, de acordo com fontes médicas e policiais não corre risco de vida. A caçadeira de canos cerrados roubada aos dois agentes policiais no Entroncamento, acabaria por ser recuperada ao final da tarde de segunda-feira, na estrada entre Vila Nova da Barquinha e Golegã, escondida num campo de milho. A apresentação do grupo ao Tribunal Judicial de Abrantes esteve prevista para a manhã de segunda-feira mas acabou por ser adiada para o dia seguinte devido à necessidade de serem processadas "mais diligências". O grupo, que foi dividido para pernoitar em vários locais da região (Abrantes, Constância e Torres Novas), acabaria por chegar terça-feira, cerca das 9h00, às traseiras do Tribunal de Abrantes em quatro diferentes viaturas, duas delas descaracterizadas. À sua espera estavam alguns curiosos e cerca de duas dezenas de familiares dos suspeitos detidos, vigiados por 17 agentes policiais, que reclamavam pela inocência acusando a própria policia de ter baleado o agente da GOE, na operação realizada em Abrançalha-de-Baixo. Maria Manuela Aleixo, avó de dois dos detidos, reclamava pela inocência dos seus familiares e afirmava que "eles nada fizeram de mal e não tinham armas nenhumas com eles". "Como é podiam ter disparado ao polícia sem terem pistolas?", questionou. Celso Marques, Comandante da PSP de Abrantes, disse à Lusa que "essa é uma tese" mas que "será o Laboratório da Policia Ciêntifica quem responderá a essa questão", desvalorizando as acusações proferidas pelos familiares dos suspeitos. Segundo disse Celso Marques, "faltam recuperar ainda duas armas estando a ser efectuadas diligências nesse sentido". Hoje de manhã a PSP e mergulhadores dos bombeiros iniciaram buscas no Tejo, junto à ponte que liga a Chamusca à Golegã, na expectativa de encontrarem as armas dos indivíduos suspeitos de terem agredido dois polícias no Entroncamento. Uma busca que se revelou "infrutífera", como revelou à Lusa o chefe de gabinete do Governador Civil de Santarém. O objectivo desta busca era encontrar a arma que terá sido disparada durante a operação que, domingo, levou à detenção dos cinco suspeitos e que feriu gravemente um agente do Grupo de Operações Especiais da PSP, disse Carlos Catalão. O grupo de cinco indivíduos recolheu ao Estabecimento Prisional de Torres Novas aguardando julgamento em prisão preventiva, como determinou o despacho decretado pela juíza do Tribunal Judicial de Abrantes.

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