Sociedade | 24-09-2010 00:13

Ainda se fazem leilões em Matas

Fim da tarde, Outeiro das Gameiras, freguesia de Matas, Ourém. Mário Antunes foi o eleito da comissão de festas em honra de Nossa Senhora do Patrocínio para o cargo de leiloeiro. A função, garante, nada tem de complicado. “É só não ter vergonha de falar” e manter-se sempre ao microfone até o leilão terminar. Na tarde de sábado, dia 18, preparava-se o terceiro e último leilão para angariar dinheiro para as festas da semana seguinte. Estavam confirmadas 170 pessoas. O segredo foi juntar o petisco e o convívio à disputa de preços.“Leiloamos o que aparece”, destaca, referindo que a tradição dos leilões esteve um pouco perdida na freguesia de Matas, mas que está a regressar. A ementa para a noite era bacalhau com chícharos. Cada pessoa tinha que pagar pelo menos cinco euros para participar e gozar da refeição. Foi a “inovação” do ano, juntamente com uma aparelhagem para divulgar o evento e música pela tarde dentro, que permitiu revitalizar os leilões na terra. Apareceu um pouco de tudo nos leilões. Desde abóboras, pudins, uvas, pão quente, vinho buchado, figos, chouriço, carne, patos, galinhas, coelhos, garrafas de vinho. A base de licitação é um euro. Mário Antunes lembra que o produto mais caro que leiloou foi uma garrafa de vinho, de Bordéus, que chegou aos 30 euros. “Quando é na altura das garrafas, é a ver quem é que leva primeiro”.Onde não há tanta disputa é nos produtos do dia-a-dia, como o feijão ou as batatas. “A luta vai para os doces caseiros, os pudins, os bolos”, refere. “Temos bolos de 20 euros”.“Faço isto porque tenho dois filhos que são festeiros, mas sou eu que estou a trabalhar por eles”, comenta com boa disposição. Todo o lucro dos leilões reverte a favor da igreja paroquial de Matas. “A nós só nos calha o trabalho e as queimadelas”.Junto do bacalhau a assar na brasa, ao som da música que se espalha por todo o lugar, Mário Antunes comenta que o jantar vai prolongar-se até à meia-noite e que todos os produtos oferecidos para o evento se vendem. Cerca de mil euros é o montante que a comissão de festas espera arrecadar com os leilões.Ainda se fazem leilões? “Sim”, embora as tradições tendem a perder-se. Em Matas, este ano, resultou em três noites de convívio com uma média 120 pessoas. Mas Mário Antunes garante que só este ano é que participa. Para a próxima competirá a outros continuar a tradição.

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