Sociedade | 21-12-2011 08:18

Bombeiros Voluntários de Azambuja já despediram sete

Os Bombeiros Voluntários de Azambuja já dispensaram este ano sete elementos face às graves dificuldades financeiras que a corporação enfrenta. Quatro tinham sido dispensados há alguns meses, como O MIRANTE noticiou, mas a corporação foi entretanto obrigada a rescindir com mais três. Recorde-se que a corporação de Alcoentre, também no concelho, já despediu outros oito bombeiros pela mesma razão.A corporação de Azambuja fica agora com 15 pessoas e teve que reorganizar os serviços para trabalhar com menos recursos humanos, confirma o presidente da direcção, António Duarte. A operacionalidade está em causa, garante o comandante da corporação, Pedro Cardoso, mesmo com os cinco elementos que estão no quartel das oito da manhã às oito da noite e são pagos pela câmara. “Quando mudam os contratos na logística temos picos de acidentes de trabalho. Se tivermos dois acidentes de trabalho e um de viação teremos muito dificuldade em colocar meios no acidente de viação. Não vale a pena tocar a sirene porque a maioria das pessoas trabalha fora de Azambuja”.Nos últimos anos com a ajuda das câmaras e com o serviço que se prestava ao Ministério da Saúde e companhias de seguros os bombeiros garantiam o socorro e salvamento. Com o novo regime jurídico das associações de bombeiros o Ministério da Administração Interna mostrou estar disponível para financiar os bombeiros mas as verbas não cobrem aquilo que as associações pagam ao Estado. “Nós pagamos em taxa social única e em IVA ao Estado cerca de 5.800 euros por mês. O Estado financia a associa em 4.262 euros”, exemplifica.O presidente da direcção da associação, António Duarte, acusa por isso o Ministério da Saúde de nos últimos anos se ter “servido dos bombeiros para fazer o serviço dos seus doentes” tirando-lhe agora o tapete. Os bombeiros pagam para transportar doentes. Há casos em que o custo do transporte para a associação é mais alto do que o valor que o Ministério da Saúde paga. “O transporte de hemodiálise custa à associação 126,62 euros e a associação recebe 84,73 euros. Não se pode andar a financiar o Estado com verbas que não temos”, denuncia.O centro de saúde, que encaminhava 60 doentes por mês, reduziu esse número para um ou dois ou três fruto das limitações ao acesso dos doentes a transporte para tratamento. Como se não bastasse há deslocação destes serviços para entidades que não fazem socorro e salvamento mas apenas tranporte de doentes, como é o caso da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima que transporta mais pessoas que os Bombeiros de Azambuja e até mesmo de Alcoentre.“Os bombeiros ficam com todo o socorro e salvamento que não dá lucro, que é feito de borla e que é obrigatório por lei. Queremos continuar a fazê-lo mas precisamos de meios”.Os serviços são distribuídos por intermédio de uma plataforma electrónica criada para o efeito mas o comandante da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, José Torres, explica que o núcleo apenas faz mais transportes porque a maioria dos doentes é de Aveiras de Cima. Por outro lado a freguesia está num ponto estratégico do concelho e as indicações são para que os veículos sigam cheios. “Se temos dois lugares vagos passamos em Vila Nova da Rainha de caminho e enchemos o carro”, justifica.No primeiro semestre de 2011 a corporação de Azambuja teve um prejuízo de 36 mil euros e o presidente da direcção da associação prevê que o número ascenda a 84 mil euros no final do ano.

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