Sociedade | 10-10-2013 18:23

Funcionárias de lar ilegal em Benavente começaram a ser julgadas por maus tratos

As três funcionárias acusadas de 17 crimes de maus tratos cometidos, alegadamente, num lar ilegal de Benavente, que foi encerrado em 2009 por falta de "condições mínimas de higiene e segurança", começaram esta quinta-feira, 10 de Outubro, a ser julgadas.O início do julgamento esteve previsto para 20 de Junho, mas foi adiado para esta quinta-feira no Tribunal de Benavente.Segundo o despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, a proprietária, de 35 anos, e duas funcionárias, de 35 e 53 anos, mantiveram os idosos mal alimentados, algumas vezes "com fome", davam-lhes banho "uma ou duas vezes por semana", além de os medicamentos serem ministrados pelas arguidas "sem qualquer acompanhamento médico".A 18 de Fevereiro de 2009, todos os 18 utentes almoçaram "uma perna de peru assado no forno com massa esparguete, que foi ainda partilhado com as duas funcionárias". Naquele dia, frisa o MP, foi servido a seis dos ofendidos "um pedaço da perna de peru e da massa esparguete triturado com uma varinha", a que as arguidas "juntaram água e medicamentos esmagados", tendo depois "despejado a mistura alimentar na boca dos idosos às colheres".O lar funcionou ilegalmente entre 2008 e Março de 2009 - mês em que foi encerrado pela Segurança Social -, no prédio onde residia a proprietária, situado na zona da Coutada Velha, concelho de Benavente, "sem as condições mínimas para acolher os idosos", que pagavam uma mensalidade de 450 a 625 euros.Os idosos apenas tinham disponível, para o seu entretenimento, os programas de televisão, não lhes sendo disponibilizado qualquer forma de exercício intelectual ou físico.Os utentes acamados permaneciam num quarto que servia de enfermaria, gabinete de saúde e para arrumações, e no qual se encontrava medicação em grande quantidade, armazenada em caixas e prateleiras, sem identificação individual. Os medicamentos também estavam espalhados pelos quartos, sala de refeições e cozinha.O lar não tinha director técnico, processos clínicos, registos de enfermagem ou certificado sobre as condições de segurança. Além disso, faltava o auto de vistoria das condições higienossanitárias, o registo de admissão de utentes e a licença de funcionamento.As três mulheres encontram-se em liberdade e sujeitas à medida de coação de Termo de Identidade e Residência.

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