Sociedade | 19-01-2017 00:07

Cientista de Salvaterra trabalha para ajudar a vencer o cancro

Cientista de Salvaterra trabalha para ajudar a vencer o cancro

Tese de mestrado de Bernardo Caniço, que incidiu sobre uma bactéria que pode erradicar as células cancerígenas, alcançou um feito raro no Instituto Superior Técnico: obteve a classificação máxima, 20 valores.

É um rapagão louro de olhos azuis, um ex-atleta federado de andebol - o Sporting tentou roubá-lo à Biologia - que deve ter feito suspirar a maior parte das meninas da Escola Secundária de Salvaterra de Magos. Exactamente o oposto daquilo que se imagina ser um cientista brilhante: não usa óculos e nunca foi gozado pelas notas altas - o seu nome esteve sempre presente no Quadro de Excelência - antes pelo contrário.

"Era um rapaz muito popular", confessa Bernardo, de 25 anos. Não duvidamos. É ainda um prodígio em Ciências. "Desde muito cedo que me apercebi que era bom nessa área. A minha maior dificuldade era o Inglês", conta a O MIRANTE.

"Cheguei a ter explicações, mas foi através dos jogos de computador que aprendi a língua, pois queria interagir com outros jogadores online. Isso motivou-me a querer saber mais", explica. Ainda bem, até porque as teses de mestrado no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, são apresentadas em Inglês.

O gosto doce do sucesso merecido veio ainda com uma cereja no topo. É que Bernardo Caniço, nascido e criado em Salvaterra de Magos, nem sequer foi avaliado por professores seus. "Ao contrário do que costuma acontecer, fui avaliado por arguentes (docentes responsáveis por colocarem as perguntas sobre a tese) externos". E o veredicto foi que Bernardo Caniço merecia a nota máxima.

Bernardo, um brilho de entusiasmo nos olhos claros, explica aquilo que o fez obter tão alta classificação. "Consegui, com o meu grupo de trabalho, identificar uma zona numa bactéria que produz uma proteína que só incide sobre as células cancerígenas, erradicando-as".

Este pode ser um importante contributo para se encontrar a cura para o cancro. A bactéria em causa é a zurina e nos Estados Unidos da América já passou da Fase 1, estando à espera de financiamento para se converter num medicamento viável. Este é o sonho de qualquer investigador e é também o de Bernardo. "Gostava de trabalhar na área da indústria farmacêutica, a pesquisar e a criar novos medicamentos", revela o biólogo.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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