Sociedade | 04-03-2018 13:47

“Um GNR tem que ser bombeiro, psicólogo e às vezes médico”

“Um GNR tem que ser bombeiro, psicólogo e às vezes médico”
Carlos Marques é militar da GNR há mais de 25 anos

Comandante de Vialonga diz que os militares da GNR não hesitam em colocar a vida em risco pela segurança de pessoas e animais.

Carlos Marques leva mais de 25 anos como militar da Guarda Nacional Republicana (GNR) e há cinco anos assumiu o cargo de comandante do Posto Territorial de Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira. Durante este curto período de tempo que leva no cargo de chefia já teve duas situações em que militares sob o seu comando tiveram de resgatar vidas de apartamentos em chamas. O salvamento mais recente aconteceu na tarde de 19 de Fevereiro e trouxe uma novidade, pois foi a primeira vez que os militares da GNR de Vialonga tiveram que efectuar o salvamento de um animal.
O alerta foi lançado quando dois militares da unidade de investigação iam a passar na rua e aperceberam-se do fumo intenso que saía do prédio. Já dentro do edifício aperceberam-se de um gemido vindo do interior do apartamento, sinal de que estava uma vida em perigo. Após várias tentativas para abrir a porta, sem sorte, e de perceberem que os proprietários não se encontravam em casa, foi preciso pensar em soluções alternativas.
Quando Carlos Marques chegou ao local deparou-se com uma situação inusitada. Uma vez que o fogo deflagrava no primeiro andar do prédio os militares decidiram parar uma camioneta que ia a passar na rua, encostar o veículo ao prédio e subir para cima dele para assim terem acesso ao interior do apartamento. “Não tínhamos uma escada à mão e sabíamos que estava uma vida em risco. Tivemos que meter o nosso engenho a funcionar”, explicou o comandante Carlos Marques a O MIRANTE.
Já dentro da casa, os militares depararam-se não com uma pessoa mas sim com Nina, uma pequena cadela de 11 anos, que se encontrava fechada na cozinha enquanto os donos estavam a trabalhar. Munidos com os extintores existentes no prédio conseguiram apagar o foco de incêndio que vinha da máquina de lavar e colocar o animal em segurança, até que os donos regressassem.
O primeiro salvamento tinha acontecido em Setembro de 2014 e teve contornos muito semelhantes. Na altura, um incêndio deflagrou num rés-do-chão e um militar que estava de folga e que ia a passar pelo local apercebeu-se da presença de uma pessoa dentro do apartamento e teve de intervir. A pessoa, idosa, não conseguia escapar pelos seus próprios meios uma vez que se encontrava desorientada. Os dois salvamentos acabaram por ser bem sucedidos.
Carlos Marques mostra um grande orgulho na divisão que comanda e não tem dúvidas em afirmar que é preciso muita coragem para colocar a vida em risco sem saber o que se vai encontrar e sem qualquer tipo de ferramentas à sua disposição. “É um cenário para o qual não temos qualquer tipo de formação, temos de nos basear apenas no instinto”, explica.
Acredita que actualmente, com a redução da criminalidade perigosa em Vialonga, os militares da GNR estão obrigados a ter outras valências uma vez que se vão deparando com situações cada vez mais diferentes. “Hoje em dia um GNR tem que ser bombeiro, psicólogo e às vezes médico”, concluiu.

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