Sociedade | 12-05-2018 15:03

A dança está-lhe no sangue e subir a um palco nunca a intimidou

A dança está-lhe no sangue e subir a um palco nunca a intimidou
IDENTIDADE PROFISSIONAL
Mafalda Murta pratica dança desde criança

Filha de peixe sabe nadar e o ditado aplica-se na perfeição a Mafalda Murta, uma jovem natural e residente em Santarém. Filha de um casal de dançarinos, foi essa arte que escolheu como rumo a seguir no ensino superior.

Mafalda Murta, 22 anos, habituou-se ainda bebé a conviver com os espelhos e barras da sala de ballet do Círculo Cultural Scalabitano, em Santarém. Por isso, não surpreendeu que na hora de escolher o curso a seguir no ensino superior tenha optado pela dança, apesar de também ter inclinação para a medicina veterinária. Actualmente a estudar na Escola Superior de Dança de Lisboa, a jovem natural de Santarém passa os dias entre a capital e a sua cidade natal, onde reside e dá aulas de dança contemporânea desde o ano passado.
Mafalda foi sempre uma criança energética e sem medos. Subir a um palco nunca a intimidou. E apoio é o que nunca lhe faltou por parte dos pais, Encarnação Noronha e Vítor Murta, ambos bailarinos, tendo vestido pela primeira vez um maiô aos quatro anos. “Era a parte melhor do dia. Saía da escola e ia para o Círculo Cultural Scalabitano”, conta.
Apaixonada pela natureza, desde pequena que se habituou a estar junto dos animais e de tratar das flores. “Era uma altura deliciosa que me lembro com muito carinho”, confessa. Entretanto, obteve o grau avançado da prestigiada escola inglesa Royal Academy of Dance até que chegou a altura de escolher a área a seguir no ensino superior. Mafalda admite que ainda esteve na dúvida, mas candidatou-se à Escola Superior de Dança de Lisboa. “De início, os meus pais não estavam muito satisfeitos com a ideia por conhecerem as dificuldades em vingar na carreira, mas lá aceitaram”, conta, explicando que fez os exames e depois a audição.
Entre várias audições e várias subidas ao palco, histórias é o que não falta à jovem que, além de bailarina, já praticou ginástica e fez parte do Coro do Círculo Cultural Scalabitano. Uma vez, conta, “cheguei a casa depois de chegar de Lisboa das minhas aulas, agarrei na minha mala branca e só quando cheguei para me vestir é que vi que a mala que tinha levado era a que estava vazia. Depois tive de ligar ao meu pai para trazer a outra mala da mesma cor”, recorda com humor.
Outro dos problemas que já enfrentou diversas vezes é estar a actuar e ter as chamadas ‘brancas’. Aí, diz, o melhor é continuar e ir improvisando até voltar a lembrar-se. A última vez, revela, foi no espectáculo “61-Abril-74 da Guerra à Liberdade”, durante as comemorações do 44.º aniversário do 25 de Abril, na antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC) de Santarém. “Estava a dançar e, de repente, começou a ficar muito fumo no palco. Nessa altura, atrapalhei-me e deu-me uma branca. O que valeu é que foi por breves instantes”.

“Santarém merece ter uma companhia de bailado”
Mafalda Murta não tem dúvidas que há cada vez mais artistas a surgirem aqui na região, sobretudo na música e no teatro. No entanto, diz, ainda há muito para se fazer no que diz respeito aos apoios e às infraestruturas destinadas às artes. No entanto, adianta, há pontos positivos como o renascer do Festival Internacional de Teatro para a Infância e Juventude (FITIJ) e o In.Str. Dois eventos que mostram que Santarém continua a apostar na arte.
Olhando para o futuro, Mafalda Murta admite que, para já, o seu objectivo é terminar a licenciatura e continuar a dar aulas de dança no Círculo Cultural Scalabitano. E porque acredita no potencial dos artistas da sua terra natal, vai sonhando em um dia conseguir renascer a companhia “Dança do Tejo”, fundada pelos seus pais, que terminou em 1992 por falta de apoios. “Sei que não será fácil mas gostava de voltar a dar vida ao projecto dos meus pais juntamente com algumas bailarinas do Círculo Cultural Sacalabitano. Santarém merece ter uma companhia de bailado”, revela.

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