Sociedade | 24-07-2018 08:38

Sinto-me mais seguro na China do que em alguns locais de Portugal

Sinto-me mais seguro na China do que em alguns locais de Portugal
FOTO D.R.

Tiago Capaz, um ribatejano de Coruche, deixou a mulher e os filhos para trás e lançou-se à aventura do outro lado do mundo para continuar a trabalhar como treinador de futebol.

Tiago Capaz, 43 anos, estava bem lançado como treinador de futebol em Portugal. Treinou durante 14 anos as camadas jovens do Sporting Clube de Portugal e estava a treinar a equipa sénior do Coruchense quando o desemprego lhe bateu à porta, no final de 2015. Foi nessa altura que surgiu uma oportunidade em Chengdu, na China, e não hesitou. Fez as malas em Fevereiro de 2016 e partiu à aventura, deixando para trás os seus dois filhos e a mulher.

“A China está a oferecer condições muito boas aos treinadores de futebol. Por isso, a oportunidade veio no momento certo”, confessa o técnico, revelando que a adaptação não foi fácil. Além da gastronomia não ter caído muito no seu goto pelo excesso de condimentos e picantes que colocam na confecção dos pratos, também a comunicação esteve muitas vezes comprometida. Tudo porque ninguém falava inglês e ele não sabia falar o mandarim.

O que vale, diz, é que todos entendem a linguagem do futebol. “Mas também tive sempre nos meus treinos e formações um tradutor comigo”, conta. Foi, aliás, com o tradutor que passou um momento hilariante. Um dia, conta, “deslocava-me de táxi e percebi que o taxista perguntava ao tradutor de que país eu era. Ele respondeu e de imediato o taxista vira-se para trás e disse: 'Olá, boa tarde', num português perfeito. Eu respondi logo: 'Eh pá! Estás bom?'. Foi um momento agradável que nunca esqueci. Claro que a conversa depressa passou para o Cristiano Ronaldo”, recorda.

Do frango à brás ao arroz de pato

Tiago Capaz realça que existem grandes diferenças entre a China e Portugal. Começa logo pela dimensão do país e número de habitantes. Só a cidade onde reside, Chengdu, no centro da China, possui mais de 10 milhões de habitantes. Outra diferença são os níveis de poluição, que constituem um verdadeiro problema “Há vários dias que passamos sem ver o azul do céu”, adianta. Mas há aspectos positivos na China. É o caso da segurança. “Aqui, se me esquecer da carteira num restaurante, logo me vêm entregar”, afirma, dizendo que nota-se no dia-a-dia a presença das forças da segurança. “Posso dizer até que que me sinto mais seguro na China do que em alguns locais de Portugal”, refere.

Apaixonado pelo seu país, o treinador de futebol que viaja para Portugal quatro vezes por ano confessa que do que sente mais saudades é dos filhos e da esposa e também da comida portuguesa. Felizmente, diz, vive-se numa era em que a tecnologia ajuda imenso a encurtar distâncias, graças às redes sociais. “Pena é algumas delas estarem bloqueadas na China e não serem fáceis de aceder”, lamenta.

Quanto aos pratos portugueses, faz questão de os cozinhar na sua casa quando está em frente ao fogão. “Desde o simples frango à brás, à caldeirada de peixe ou ao arroz de pato. Faço de tudo”, revela. A única dificuldade é adquirir alguns ingredientes como é o caso do bacalhau, “mas vou adaptando as receitas”.

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