Sociedade | 30-07-2018 07:26

Novas escavações para desvendar origens do castro de Vila Nova de São Pedro

Novas escavações para desvendar origens do castro de Vila Nova de São Pedro
FOTO O MIRANTE

Câmara de Azambuja quer valorizar património que remonta ao terceiro milénio antes de Cristo.

A segunda campanha de escavações arqueológicas no castro de Vila Nova de São Pedro, concelho de Azambuja, decorreu até 27 de Julho e abriu novas áreas de escavação com vista à datação precisa do sítio arqueológico, que se julga ter tido origem cerca de três mil anos antes de Cristo.

A campanha tem como objectivos fundamentais “limpar o mato que foi cobrindo as muralhas de pedra para que se possa registar o local e ao mesmo tempo abrir novas áreas de escavação”, explicou Mariana Diniz, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dirigente dos trabalhos.

Através de edificações e materiais descobertos em campanhas anteriores conclui-se que o povo que ali habitou era “auto-suficiente do ponto de vista da água”, provando-o a presença de uma cisterna no interior de uma das muralhas, com terra húmida e uma zona de mina. Segundo Mariana Diniz, quem ali viveu foi uma comunidade próspera do ponto de vista agrícola e da pastorícia. Há também testemunhos de que se enquadram na primeira fase em que o homem começa a trabalhar os metais, através de vestígios de pingos de fundição de cobre.

Apesar das várias campanhas de escavações, o mistério em torno do castro de Vila Nova de São Pedro continua por desvendar. Sabe-se que se trata de um povoado do período Calcolítico, que ocupou aquelas terras no terceiro milénio antes de Cristo. Pensa-se que foram “momentos de grande instabilidade e conflitos sociais” que levou este povoado a construir as várias linhas de muralhas, para dificultar o acesso a outras comunidades. De acordo com a professora, construir fortificações era típico de comunidades do Mediterrâneo, o que significa que a comunidade do castro de Vila Nova estava “em rede com comunidades do Mediterrâneo”.

Os trabalhos em curso são dirigidos por uma equipa de arqueólogos da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), com a colaboração de 17 alunos do curso de Arqueologia da FLUL e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa, com o apoio da Câmara de Azambuja e da União de Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa. A primeira campanha do projecto realizou-se em 2017, ao longo de três semanas.

* Notícia completa na edição semanal de O MIRANTE.

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