Sociedade | 01-09-2018 18:30

Poluição do Tejo esquecida na hora de ir ao banho

Poluição do Tejo esquecida na hora de ir ao banho
Victor Estevão, Miguel Lima e Nelson Morais, Andreia Costa, Tânia Gomes, Jorge Gomes

Mesmo preocupados com a qualidade da água há quem não resista a entrar no rio.

Os banhistas que procuram o Tejo para se refrescarem nos dias de maior calor na Ribeira de Santarém e em Valada, Cartaxo, dizem que se preocupam com a qualidade da água, mas quando o Sol aperta esquecem-se da poluição e do perigo de a água do rio poder fazer mal, por exemplo, à pele. Se uns vão tomar banho para o Tejo por hábitos de infância, outros admitem que o rio está mais perto de casa, poupa-se dinheiro, e a água, seja lá qual for o seu estado, é uma tentação nos dias quentes.
Victor Estevão, 48 anos, Miguel Lima, 40 anos, e Nelson Morais, 26 anos, habitantes da Ribeira de Santarém, são amigos de longa data e resolveram fazer um churrasco à beira do rio, a que se seguiram uns mergulhos, até porque o rio levava alguma água, ao contrário de outros dias em que o caudal está muito baixo. “Nasci quase nas margens do rio e sempre que posso venho até aqui tomar banho. É um local pacato, as águas são calmas e os mais pequenos podem andar à vontade”, adianta Victor Estevão.
E se a má qualidade da água é uma preocupação, mesmo assim não trocavam as águas do Tejo nem pelo complexo aquático nem pela praia. “Antigamente já se falava em poluição, mas agora a situação tem vindo a piorar a olhos vistos”, confessa Nelson Morais, lembrando as descargas de esgotos feitas no Tejo em Alfange ou de resíduos das empresas que, pelos vistos, não os afecta ainda muito na hora de ir à água. Enquanto os amigos se divertem na Ribeira de Santarém, em Valada, Andreia Costa, 27 anos, apanha banhos de sol junto à margem do Tejo. Mãe de uma criança de três anos, diz que se preocupa com a qualidade da água e à cautela apenas molha os pés no rio.
Andreia, que vive em Azambuja, diz que quando era mais pequena ia a banhos no Tejo. “Antigamente, a água estava bem melhor. Mas, as fábricas começaram cada vez mais a fazer descargas para lá e agora é o que se vê”, admite. Na mesma zona, pronta a dar um mergulho, está Tânia Gomes. Apesar das notícias sobre a poluição do Tejo, todos anos a jovem de 20 anos continua a fazer questão de ir a Valada refrescar-se no rio. “Custa-me ir à água, mas o calor fala mais alto e não resisto”, confessa Tânia, acreditando que haja um mínimo de segurança acerca da qualidade da água. “Mas, nunca se sabe se um dia chego a casa com manchas na pele”, realça.
Na primeira vez que Jorge Gomes, de 61 anos, foi a Valada, o habitante de Massamá, concelho de Sintra, esqueceu-se da qualidade da água quando o calor apertou e lançou-se para dentro do rio. Jorge decidiu ir banhar-se no Tejo para fugir à confusão das praias. “É uma tentação e arrisquei, mas estou sujeito a chegar a casa e ficar com manchas na pele”, adianta Jorge, defendendo que devia de se encontrar no local informação sobre a qualidade da água. “Este é um local frequentado por muitas crianças e assim os pais ficavam mais descansados”, conclui.

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