Sociedade | 18-12-2018 15:00

São muitos anos a assar frangos

São muitos anos a assar frangos
IDENTIDADE PROFISSIONAL

Felisbela Jacinto é proprietária da Churrasqueira Alvorada, em Santarém, juntamente com o marido, há 37 anos.

De terça-feira a domingo não têm mãos a medir para satisfazer os pedidos dos clientes. Os fins-de-semana são a altura de maior movimento. À segunda-feira é dia de descanso, mas nunca falta que fazer para quem tem que gerir um negócio.

Felisbela Jacinto, 55 anos, já em criança gostava de ajudar o pai nos aviários e matadouro de frangos. Por isso, não surpreende que na hora em que o seu pai adquiriu uma churrasqueira e a convidou para lá trabalhar, tivesse aceitado de imediato. Na altura tinha 17 anos e começou a preparar e a assar frangos, com o pai e também com o marido, António Jacinto. Actualmente a residir na Póvoa da Isenta, concelho de Santarém, Felisbela divide-se entre a Churrasqueira Alvorada, em Santarém, e as participações no conselho fiscal da Igreja Paroquial da Póvoa da Isenta e nas direcções da Associação Desportiva da Cruz de Cristo e do Agrupamento de Danças e Cantares da Póvoa da Isenta.

Nascida e criada na Póvoa da Isenta, Felisbela Jacinto lembra-se bem do tempo da sua meninice na escola, da ajuda que dava ao pai no escritório com a papelada e no carregar de frangos durante a noite. “Eram logo aos quatro de uma vez em cada mão”, recorda a empresária que frequentou o Colégio Andaluz, em Santarém, e, mais tarde, a partir do 10º ano, a Escola Industrial de Santarém, actualmente Escola Secundária Dr. Ginestal Machado.

A gerir há 37 anos a Churrasqueira Alvorada, juntamente com o marido, o dia-a-dia de Felisbela é passado, sobretudo, entre chamadas telefónicas, papelada, preparação de frangos, fritura de batatas e atendimento ao público. Durante a semana, a empresária chega ao estabelecimento pelas 09h30, altura em que começa, juntamente com os empregados, a atear o carvão e a arranjar os frangos de forma a que, pelas 12h00, estejam todos preparados para irem para a grelha. Às 14h30, chega a hora do descanso. É quando aproveita para ir a casa e tratar da roupa ou fazer limpezas. Pelas 17h00 é o momento de voltar ao trabalho e começar a atear novamente o carvão e a arranjar os frangos para, pelas 18h30, já estarem a assar.

“Nós só temos um dia de descanso, que é à segunda-feira, mas temos sempre tanta coisa para fazer que nunca conseguimos descansar. Ainda esta semana estive a lavar todas as grelhas que estavam cheias de carvão. É só nestas alturas que o posso fazer”, confessa Felisbela, referindo que aos fins-de-semana é quando os frangos estão sempre a sair. “Ao sábado e ao domingo nunca paramos. Começamos de manhã e só paramos às 20h00. É quando vendemos mais”, conta, acrescentando que recebem todos os dias, pelas cinco da madrugada, frango fresco.

Felisbela não tem dúvidas que é mais fácil abrir um negócio do que depois mantê-lo. O segredo, confessa, está na presença constante do patrão e no facto de haver uma união entre os funcionários. “Nós aqui somos uma família e isso é muito importante, especialmente nos momentos de crise”, adianta a empresária, que diz fazer questão de oferecer um atendimento personalizado aos seus clientes. “É impossível praticar os preços dos hipermercados. Eles não só não trabalham a carvão como também os frangos não têm tanta qualidade”, admite.

E não é só a concorrência a assombrar o negócio de Felisbela Jacinto. Também o facto da cidade de Santarém se encontrar “morta”, sobretudo aos fins-de-semana, não ajuda nada a quem tem um negócio aberto. “Normalmente ao domingo, aqui na rua, vê-se muito pouca gente. Só eu e o W Shopping é que estamos abertos”, conclui.

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