Sociedade | 14-03-2019 18:00

Incontinência urinária obriga-o a usar fralda e impede-o de ir à praia

Incontinência urinária obriga-o a usar fralda e impede-o de ir à praia

José António vive em Samora Correia e o problema virou-lhe a vida do avesso.

O primeiro alerta foi há sete anos quando começou a urinar sangue. Foi operado e desde esse dia ficou incontinente. Usa fralda e deixou de ir à praia e a outros lugares que frequentava.

José António, 79 anos, sofre de incontinência urinária há quatro anos e não esconde o problema, mesmo sabendo que muitas pessoas não olham de forma compreensiva para a doença que lhe afecta a qualidade de vida. O seu dia-a-dia é passado com uma fralda por não conseguir ter controlo sobre o fluxo urinário.

Nasceu em Angola mas veio para Portugal com 15 dias de vida para a zona de Belém, em Lisboa. Foi serralheiro mecânico durante 40 anos nas oficinas navais da Lisnave. Há dez anos que vive sozinho na sua casa em Samora Correia, concelho de Benavente. Há sete anos teve o seu primeiro sinal de alerta, começou a urinar sangue e foi de emergência para o hospital. Detectaram-lhe um tumor num rim que tinha alastrado ao canal que o ligava à bexiga.

Foi operado e desde essa altura que sofre de incontinência urinária. Diz nunca ter percebido o que aconteceu na cirurgia para ter ficado incontinente e acredita que terá existido um erro clínico. Reclamou mas até hoje nunca obteve uma explicação médica. “Entrei bem e saí incontinente. É uma calamidade. Lastimo muito esta situação”, desabafa.

Há pouco tempo um médico receitou-lhe um novo medicamento que lhe permitiu minorar bastante os problemas mas os efeitos iniciais dos comprimidos têm vindo a diminuir. “Isto condiciona-me muito a vida. Era uma pessoa que gostava de ir à praia, por exemplo, e tive de deixar de ir. E as expectativas de solução vão-se esfumando”.

Todos os meses gasta dois pacotes de fraldas que custam perto de 20 euros cada. “O meu problema é viver sozinho, não tenho ninguém que me ajude e os meus filhos estão fora. Sou um desconhecido por aqui. Quando fui operado pedi apoio à Fundação Padre Tobias mas só ao fim de uma semana é que me poderiam dar apoio, se tivesse de esperar esse tempo todo morria”, conta.

“O que mais gostava era que a medicina avançasse ao ponto de proporcionar uma cura a quem padece desta doença. Ser incontinente é um problema que além do transtorno causa alguma vergonha”, diz.

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