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Mário Dionísio: O Homem e a Obra

Por Carlos de Cira

Edição de 08.04.2016 | Sociedade

Vítima de ataque cardíaco faleceu há pouco (17/11/93) Mário Dionísio. Segundo sua filha a escritora Eduarda Dionísio, este “sofria há muito de angina de peito”. Por decisão do próprio, o corpo, sem velório e funeral, foi cremado. Morreu o homem ficou a obra.

Nasceu Mário Dionísio de Assis Monteiro em Lisboa a 16 de Julho de 1916. Licenciado em Filologia Românica, leccionou durante mais de quarenta anos no Liceu Camões e depois de 1974 na Faculdade de Le­tras de Lisboa onde deu a última lição em 1988. Convidado por duas vezes para ministro, recusou. Entre Dezem­bro de 1975 a Março de 1976 foi Director de Programas da R.T.P. - empresa pública que ignorou (o sublinhado é nosso), o seu passamento.

Todavia, é como contista, poeta, ensaísta, pintor, crítico literário e de artes plásticas que Mário Dionísio se veio impor, principalmente como um dos técnicos do Movimento Neo- Realista Português.

Alexandre Pinheiro Torres, chamava-lhe “o esteta do neo-realismo”. Contudo o autor de A Paleta e o Mundo, só a muito custo aceitou esta expressão dada ao movimento que ajudou a criar, cujo padrinho, como se sabe, foi Joaquim Namorado (artigo sobre Amando Martins, in O DIABO n.° 223 de 31/12/938).

Também de realismo socialista (o termo correcto e usado em muitos outros países) ele não concordava, se bem que, como escreveu, fosse a ideia de muitos companheiros...

Porém, é como neo-realismo que é conhecido no panorama social e político no nosso país e hoje é um marco na História da Literatura Portuguesa.

O que foi este movimento entre nós, e as implicações que teve nos anos 40 e 50, já afloramos num trabalho sobre Soeiro Pereira Gomes. Aos nossos leitores, a todos aqueles que se interessam por esta matéria, aconselhamos a leitura dos trabalhos de António Pedro Pita - um jovem radicado em Coimbra que estuda e investiga este assunto, e de quando em vez vem cá abaixo (V.F.X.) apresentar as suas descobertas. É que no neo-realismo existiram algumas correntes: Neo-Realismo Real e Neo- Realismo Ideal. O primeiro defendido por Alves Redol, e o segundo por Mário Dionísio, e bem assim as teses de António Ramos de Almeida.

Homem de intervenção, os seus primeiros trabalhos literários aparecem na revista Prisma em 1933 revista que dirige ainda no Liceu Gil Vicente, em Lisboa. Daí para cá, até 1981, colaborou nos seguintes periódicos: Momento, Gleba, Liberdade, Sol Nascente, O Diabo, Afini­dades, Altitude, Seara Nova, Vér­tice, Itinerário (Lourenço Marques), Ler, Diário de Lisboa, A Capital, Gazeta Musical e de Todas as Artes, J. L. e outros.

São da sua autoria as seguintes obras: Introdução à Pintura, A Paleta e o Mundo (2 vol.), Portinari, Ficha 14,O Dia Cinzento, As Solicitações e Emboscadas, Vicente Van Gogh, Guilherme Azevedo, O Riso Dinossante, Encontros em Paris, Poesia Incompleta, Não há Morte Nem Principio, Autobiografia e muitos mais.

Participa ainda: Na Conferência dos Intelectuais pela Paz em Wroklaw, na Polónia, nos Reencon­tros Internationales de Genéve, nas Homenagens a Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes e Joaquim Namorado (em Vila Franca de Xira).

Fez conferências na Universidade Popular Portuguesa, Grémio Alentejano (esta interrompida por um grupo fascista) e na Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências.

Em 1964 - É eleito membro da secção luso-espanhola do juri do Prémio de Literatura;

Em 1974- Presidente da Comissão de Estudos da Reforma Educativa; e, Presidente da Comissão Coordenadora de Textos de Apoio;

Em 1977 - Escreve textos sobre a importância da cultura para as classes trabalhadoras;

Em 1982 - Intervém no Congresso de Escritores Portugueses;

Em 1989-Realiza a 1.* Exposição individual (em Lisboa); e,

Em 1990 - Realiza uma Exposição no Porto.

Eis em rápidos traços a Vida e a Obra de um Amigo que há bem pouco tempo nos deixou.

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