A alegria de ajudar os outros
Lília Durão, educadora social, integra um projecto de desenvolvimento local
Lília Durão, educadora social, 23 anos, integra um projecto da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém, que se destina a ajudar a população em risco de exclusão social e profissional. O que lhe agrada mais no seu trabalho é saber que pode fazer alguma coisa de útil por alguém. Acredita que toda a gente tem uma missão que se cumpre com pequenas vitórias. Tem um sonho: trabalhar numa instituição onde os idosos e os jovens pudessem estar mais perto. Aproximar duas gerações afastadas, mas com muito a ensinar e aprender.
Lília Durão, 23 anos, é educadora social e uma das técnicas do “Crescer Cidadão”, um projecto da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém, onde está desde Outubro.O projecto, que está na segunda fase, destina-se a apoiar a população em risco de exclusão social e profissional. Irá desenvolver-se em cinco freguesias do concelho.Neste momento está em fase de preparação. “Estamos a arranjar estratégias de trabalho com a comunidade. Estamos a tentar conhecer melhor as necessidades e os interesses das pessoas e das comunidades onde elas estão inseridas para passar à prática”, explica.Para estudar a população, as técnicas elaboram questionários para conhecer melhor o público alvo e fundamentam-se com artigos publicados sobre as temáticas.Nas últimas semanas o trabalho tem passado sobretudo pela planificação de actividades e de formação para o contacto directo com o público.A população alvo do projecto são pessoas desempregadas, em risco de desemprego, jovens à procura do primeiro emprego, com baixas habilitações escolares e qualificações profissionais reduzidas. “Vamos orientar, encaminhar para formação e para emprego, articulando com empregado e empregador”, afirma.Quando os centros estiverem em funcionamento, a técnica de desenvolvimento local irá trabalhar com toda a comunidade onde a população está inserida.O que gosta mais no trabalho de educadora social é saber que pode fazer alguma coisa de útil por alguém. “Acho que todos temos uma missão e para se conseguir cumprir essa missão se calhar não é preciso esperar grandes vitórias. Às vezes as pequenas vitórias que deixamos passar ao lado tiveram muita importância para alguém. Se calhar uma grande vitória e feita de pequenas vitórias todas juntas”.A técnica considera que teve uma boa preparação no curso que é teórico-prático, embora admita que não há nada como o contacto diário e real com a profissão. O seu dia começa antes das nove da manhã. Antes das 17h00 já está de regresso a Arneiro das Milhariças, Santarém, onde reside. Tenta ter um horário regular, mas existem sempre oscilações. “Em qualquer trabalho é difícil ter-se um horário rigoroso, principalmente na área social”. A maior dificuldade de Lília foi conseguir arranjar trabalho. “As instituições que precisavam de pessoas não tinham condições financeiras para as contratar. Outros não precisavam e por isso foi complicado porque o mercado de trabalho já estava muito cheio”.Depois de terminar a licenciatura não arranjou logo emprego e foi trabalhar numa sapataria em Santarém. “Não queria estar parada”, afirma. Ao fim de muito esforço arranjou emprego. Em 2001 iniciou um estágio profissional na escola de rapazes da Casa Pia de Lisboa, na Quinta do Arrife, na Escola Agrícola Francisco Margiochi.Ajudou a criar um jornal escolar. Foi difícil motivá-los, mas no final cada aluno já fazia mais do que um texto. “Foi bom ver que alguns miúdos começavam a requisitar mais livros”, conta.O estágio profissional foi gratificante. Deu-lhe mais traquejo e uma vantagem em relação a quem entra directamente para o projecto sem nunca ter feito um estágio profissional. “Na associação senti as dificuldades normais que vou continuando a sentir, porque tenho ainda muito para aprender”.A profissão permite que trabalhe com crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não tem públicos preferidos, mas gostaria de trabalhar numa instituição inter-geracional que reunisse crianças e idosos. “Uma instituição que tivesse uma creche e idosos e onde pudesse desenvolver actividades que permitissem o convívio de idosos com crianças. Acho que estão muito afastados. Os idosos a um canto, os jovens a outros”, observa. Por vezes o seu trabalho confunde-se com outras profissões da área social, já que é difícil definir as áreas de intervenção. “Um educador social para trabalhar no seu auge deve ser integrado numa equipa pluridisciplinar que deve ter assistentes sociais, psicólogos e animadores para que seja uma mais valia para a instituição e população”, explica.Não se queixa da remuneração como educadora. Lília Durão diz que nunca se consegue deixar de levar os problemas para casa, mas considera que é preciso demarcar os limites. “Temos que aprender a dissociar as coisas, caso contrário prejudicamo-nos como profissionais e pessoas. Temos que ser imparciais. É uma batalha que todos os técnicos sociais têm que travar diariamente”.Ana Santiago
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