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Pacifista Serafim das Neves

Edição de 19.03.2003 | E-mails do outro mundo
Nem tenho dormido bem por causa do Iraque. Vê lá tu que até já fui ao mapa ver onde aquilo fica. E fica longe para burro. Cum caraças! Pensei que era ali a seguir a Espanha e afinal é lá para os confins. O nosso Primeiro –Ministro disse que vai ajudar o senhor Bush a arrasar aquilo mas eu nem sei como? Teremos algum avião militar capaz de ir até lá? E com que bombas vamos atacar? Com bombas de feijão com couve não pode ser, porque as armas químicas estão proibidas. Um drama nacional como calculas.E o senhor Saddam, coitado. Agora querem mandá-lo para o exílio. E acho que até já lhe sugeriram que venha investir o dinheirito que foi amealhando com tanto sacrifício, num hotel qualquer do Estoril ou do Algarve. É cruel o destino dos políticos, Serafim. Vê lá tu!!?? Um homem tão estimado pelo seu povo. Um homem justo, capaz de matar a própria família quando não tinha por ali à mão mais ninguém a quem encher de chumbo...é uma ingratidão...um hotel no Estoril, vê lá?!!! E mesmo que fosse uma quinta na Madeira. O senhor está habituado a palácios do tamanho da cidade de Torres Novas. De certeza que vai sofrer de claustrofobia.Bom, deixemos a cena internacional que me dá tanta tristeza e falemos de coisas mais divertidas. O referendo sobre o nome a dar às duas freguesias que vão resultar da divisão da única freguesia do concelho do Entroncamento. Esta coisa dos nomes tem que se lhe diga, como calculas. Basta ver os nomes que se chamam aos árbitros de futebol por esse Portugal fora. Os do Bloco de Esquerda queriam Vaginhas e Saldanha, os do PêCê era Casais e não sei que mais. À direita a proposta era pró-católica e santificada. Nossa Senhora de Fátima e S. João Baptista. Foi-se a votos e, claro está, ganhou a abstenção. Em mais de catorze mil eleitores votaram oitocentos. Mas não embandeires em arco. A abstenção ganhou mas não ganhou nada com isso. As freguesias vão ter mesmo os nomes dos santos. É uma injustiça. Mas mais injustiça seria baptizá-las à regime socialista, como defendiam algumas peças de arqueologia política lá da terra. O senhor do PêCê – CêDêU ainda a consulta estava a decorrer já andava a dizer que, fosse qual fosse o resultado da votação, quem decidia eram os políticos. Um outro do Bé, apregoava o mesmo. A velha democracia popular ainda estrebucha. O povo é quem mais ordena mas é só quando ordena ao jeito de quem manda. Felizmente imperou o bom senso. Respeitaram-se os votantes. E viva o velho!E vou finalizar esta escrevinhadela com a merda das praxes da Escola Agrária. E falo de merda porque aquilo, além da bosta que é, baseia-se no estrume de vaca e na caganeira de porco. Os estudantes mais velhos, antes que os caloiros desatem a pensar, enchem-lhes as cabeçorras de trampa. É um processo de igualização geral. Ficam todos a pertencer à seita dos cabeças de esterco...pensam eles.Esta semana foi grande a agitação porque uma aluna escreveu ao ministro a contar as torturas a que tinha sido submetida. Descobriu-se a pólvora, Serafim. Mas foi uma descoberta meio chôcha. Como te lembras, já em 1998 O MIRANTE tinha contado aquelas javardices todas. E eu próprio te enviei uma prosa que agora recupero para finalizar. Era assim:Serafim, não sei se ainda te lembras dos teus tempos de cabulice na faculdade, mas eu evoco-os aqui, aos teus e aos meus, para falar das praxes. Esses actos bárbaros de ditadura total dos mais velhos a que os caloiros se submetem com a resignação de Judeus a caminho dos fornos crematórios. Há uns bons aninhos, quando pisei a faculdade pela primeira vez, as praxes também estavam na moda e até houve dois ou três chicos espertos que avançaram para mim com más intenções. Valeu-me o meu metro e oitenta e cinco e os meus 90 quilos de peso, temperados pelo vozeirão que me conheces. Até ao fim do curso nunca mais os vi.Eu sei, as praxes não passam de inocentes brincadeiras disfarçadas de atentados ao pudor, uma ou outra tentativa de violação, restrição das liberdades individuais à boa maneira fascista e abuso de autoridade ao melhor estilo das polícias dos países do terceiro mundo, mas este mau feitio impede-me de achar graça a coisas tão engraçadas.Fica-te então com uma gargalhada das boas cá do Manuel Serra d’Aire

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