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Corrida a três

Presidente da Federação Distrital do PS é eleito no fim de semana

São três os candidatos à liderança da Federação Distrital de Santarém do PS. José Brilhante, Paulo Fonseca e Rui Barreiro falam a uma só voz em renovação mas, curiosamente, todos eles navegaram, sem sobressaltos nem angústias, nas águas do poder rosa nos últimos anos. Mais de acordo com a realidade vivida no partido é uma outra linha de força das três candidaturas: a do apelo à união. As eleições decorrem sexta e sábado.

Edição de 19.03.2003 | Política
A presidência da Federação Distrital do Partido Socialista nunca foi tão disputada. Às eleições marcadas para sexta-feira e sábado, 21 e 22 de Março, concorrem três candidatos – José Brilhante, Paulo Fonseca e Rui Barreiro -, o que demonstra que união e consenso são coisas que não abundam actualmente no PS ribatejano.Mas, curiosamente, os candidatos até parecem estar mais próximos do que se pode julgar. No seu programa eleitoral, todos falam em união, em renovação, em mudança, em abertura à participação das bases, em reforço do peso da distrital nos órgãos nacionais do partido. Aliás, basta ver os motes de cada candidatura para se observar que à partida todos parecem defender o mesmo: Brilhante escolheu “Renovar em Solidariedade, O Ribatejo somos todos nós”; Barreiro optou por “Renovar o PS, ganhar o Ribatejo”; e Fonseca aposta em “Romper com o sistema, para unir as pessoas”.Ou seja, todos sem excepção criticam o actual estado de coisas e deitam olhares críticos ao passado recente. Mas todos navegaram nas águas do poder rosa nos últimos anos. Basta recordar as funções de nomeação política que desempenharam durante os governos socialistas de Guterres – Fonseca e Barreiro foram adjuntos do governador civil de Santarém e presidente da distrital do PS Carlos Cunha, e Brilhante foi o responsável máximo pela Segurança Social no distrito.Embora seja justo realçar que José Brilhante se destacou da concorrência por ter sido o único a levantar a voz contra Carlos Cunha ao longo dos mandatos em que este foi rei e senhor do PS distrital. Um consulado que durou até à hecatombe das autárquicas de Dezembro de 2001, quando Cunha foi cilindrado nas eleições para a Câmara de Alcanena pelo seu camarada e ex-número 2 Luís Azevedo, que concorreu por uma lista independente.Cunha pediu a renúncia ao cargo pouco tempo depois e desde aí a distrital socialista caiu numa espécie de limbo, já que o presidente adjunto Nelson Baltazar, entretanto encarregado de evitar o vazio de poder, pouco se destacou na acção política e na organização do partido. A excepção foi a posição pública, muito tardia, contra a divisão administrativa do distrito de Santarém pelas regiões Alentejo e Centro.ACEITAM-SE APOSTASÉ pela restauração do protagonismo que a distrital socialista já teve que os candidatos vão também lutar. E nessa contenda cada um faz questão de anunciar os seus apoios na inevitável contagem de espingardas que habitualmente antecede estes acontecimentos. Mas a última palavra cabe aos cerca de 1800 militantes com direito a voto.Paulo Fonseca reivindica ter do seu lado os deputados eleitos pelo distrito e a maioria das concelhias, entre as quais a de Ourém, onde é vereador. Já Rui Barreiro pode gabar-se de colher a simpatia de autarcas de peso como Sousa Gomes (Almeirim) e Silvino Sequeira (Rio Maior) e da maior concelhia do distrito, a de Santarém, liderada pelo seu vice-presidente na câmara escalabitana, Manuel Afonso.No entanto, nem assim é líquido que Barreiro tenha uma vitória esmagadora em Santarém, já que também Brilhante – igualmente escalabitano - conta aí com o apoio público de ex-autarcas como Luísa Barbosa e Cremilda Salvador e de alguns outros militantes.E também porque não é crível que o actual presidente da câmara venha a colher os votos da facção ligada ao anterior poder autárquico, que integra José Miguel Noras, Botas Castanho e Graça Morgadinho, ou ainda de nomes como os de Raul Violante ou António Carmo.José Brilhante é à partida o concorrente que menos trunfos parece dispor, tendo a sua maior base de apoio em Tomar, pelo menos tendo em conta a lista de assinaturas de apoiantes que tornou pública recentemente. Essa realidade foi combatida com uma campanha dinâmica que se iniciou há largos meses e que o levou a todo o distrito para conversas com os militantes. Resta saber se chega, contra candidaturas apoiadas em pesos pesados e influentes. O MANDATO DE TODAS AS ESCOLHASA importância do sufrágio do fim de semana pode ser aferida pelo número de candidatos à liderança. No mandato que se vai seguir, o líder distrital terá de gerir processos como os das escolhas dos candidatos às próximas autárquicas e legislativas, em 2005 e 2006. Em princípio, os mandatos têm duração de dois anos, mas, segundo os regulamentos, não devem ser realizadas eleições internas sempre que falte menos de um ano para actos eleitorais como as autárquicas ou as legislativas. Ou seja, o próximo presidente deverá ocupar o lugar pelo menos até meados de 2006 e ter pela frente a sempre apetecível missão de decidir ou ratificar quem é candidato a autarca e a deputado.E se se pode dizer que o exercício das funções de liderança não se esgota aí, é nessas alturas que tudo se joga e se vinca, ou não, o poder do presidente da distrital. Carlos Cunha que o diga, para o bem e para mal...João Calhaz

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