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Dinossauros andaram por Alcanede

Trilhos com 175 milhões de anos têm características únicas no nosso país

Os terópedes, dinossauros carnívoros de grandes dimensões, andaram por Vale de Meios, Alcanede, há cerca de 175 milhões de anos. Quem o afirma é o director do Museu de História Natural, Galopim de Carvalho, depois de ter analisado as pegadas descobertas numa pedreira da região. É o segundo achado do género no Parque Natural da Serras d’Aire e Candeeiros. O primeiro, já classificado como Monumento Natural, situa-se mais a norte, na zona do Bairro, concelho de Ourém.

Edição de 16.04.2003 | Sociedade
A passagem de dinossauros carnívoros de grande porte pela zona de Alcanede, actualmente abrangida pela área do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), ficou bem impressa na pedra e a relevância científica do achado, que se calcula ter 175 milhões de anos, já foi atestada pelos especialistas do Museu Nacional de História Natural. Os primeiros indícios remontam a 1998, numa zona de exploração de pedreiras de calçada conhecida como Vale de Meios, mas só com o avanço da extracção de pedra se teve noção da sua importância. Os estudos mais aprofundados, coordenados pelo paleontólogo Galopim de Carvalho, iniciaram-se no segundo semestre do ano passado, tendo sido recentemente concluído um relatório que dá o achado, datado do Jurássico Médio, como único a nível nacional e mesmo da Península Ibérica. Deve seguir-se um processo de classificação da jazida como monumento natural.São dezenas de pistas com numerosas pegadas em bom estado de conservação, atribuídas a dinossauros bípedes de grande porte – conhecidos cientificamente como terópodes -, que a direcção do PNSAC e a Câmara Municipal de Santarém querem preservar. O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que já se encontra a estudar a forma de garantir a preservação dos trilhos de saurópodes da pedreira do Galinha, em Bairro, Ourém, deverá ser chamado a encontrar a metodologia a aplicar.A intenção, a médio prazo, é constituir em Vale de Meios um centro de interpretação simples e prático que forneça o máximo de informação científica e pedagógica sobre esses “monstros” extintos há milhões e milhões de anos e entretanto celebrizados pela sétima arte, em filmes como Jurassic Park.A actividade das pedreiras onde se encontra a jazida, situadas em terrenos baldios concessionados a empresas, foi suspensa na laje onde surgiram as pistas, afirmou aos jornalistas a directora do PNSAC, Maria João Botelho, durante uma visita ao local na manhã de quinta-feira organizada em conjunto com a vereadora da Cultura da Câmara de Santarém, Idália Moniz.O PNSAC tem estabelecido contactos com os exploradores de calçada, no sentido de se encontrarem contrapartidas que podem passar pela cedência de outros terrenos para prosseguirem a sua actividade. Uma hipótese que não merecerá grandes objecções por parte dos empresários, não sendo previsível uma situação litigiosa como a que aconteceu na pedreira do Galinha, onde há alguns anos foi descoberto um imenso trilho de pegadas de dinossauros herbívoros.Nesse caso, o Estado teve de pagar uma avultada indemnização ao proprietário do terreno para garantir a preservação das pegadas, que entretanto motivaram a criação no local de um centro de interpretação.

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