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David Reubeni e os “jovens turcos”

Miguel Noras

Estas e estes novos “profetas” facilmente pulam a cerca da agressividade e do insulto, desacompanhados de qualquer conteúdo intelectual e político. São verdadeiras lapas que se colam a poderes antigos e a poderes recentes, massajando-os com toda a sorte de despautérios. Ocupam a primeira fila da putrescibilidade e do “demagogismo” políticos. Parecem acreditar que as suas extremadas falas conseguem lavar a nudez dos predicados que não possuem.

Edição de 11.06.2003 | Opinião
Foi em Almeirim que D. João III recebeu David Reubeni, o “judeu do sapato”, corria o ano de 1526.Este profeta, visionário e político acreditava ter vindo ao mundo para anunciar a redenção do povo e para prometer o terreno convívio com o Messias.Enquanto político, David Reubeni preconizou uma “santa aliança” de grupos desavindos contra um “inimigo comum”.Até adormecer para Deus, “graças” ao auto de fé de 8 de Setembro de 1538 (obra da “Inquisição Espanhola”), este profeta que visitou Almeirim defendeu sempre a unidade de cristãos e de judeus contra a “crescente ameaça turca”.Aparentemente, tanto D. João III, de Portugal, como Carlos V, de Espanha, concordaram com a tese do “judeu do sapato”. O próprio Papa Clemente VII chegou a escutar estes seus nobres desígnios.Agora, como por antítese, as “mesmas águas” do Tejo que, há quase meio milénio, viram partir David Reubeni, assistem à chegada de “novas e novos turcos” naufragando, politicamente, com as memórias do “judeu do sapato”.Estas e estes novos “profetas” facilmente pulam a cerca da agressividade e do insulto, desacompanhados de qualquer conteúdo intelectual e político. São verdadeiras lapas que se colam a poderes antigos e a poderes recentes, massajando-os com toda a sorte de despautérios. Ocupam a primeira fila da putrescibilidade e do “demagogismo” políticos. Parecem acreditar que as suas extremadas falas conseguem lavar a nudez dos predicados que não possuem. Temem as eleições (na maioria dos concelhos) por saberem que irão perdê-las e não hesitam em recorrer à praga nacional que é a cunha, visando prevenir o seu futuro. Coube-lhes, igualmente, o papel de anunciar a salvação do povo e “outros amanhãs que cantam”. Vendaram os olhos ao seu naufrágio político universal. Todavia, no fundo, acabam por beneficiar o “inimigo comum” que, arduamente, combatem e injuriam. Com efeito, a incapacidade e as asneiras cometidas por estas e por estes “novos turcos” só poderão ser debitadas às forças políticas que os recrutaram como mera “tropa de choque” contra um “inimigo comum”.O eleitor é, por natureza, silencioso mas, em regra, não padece de qualquer cegueira.O povo de Almeirim que o diga!Post ScriptumÉtica e competênciaJorge Lacão, o cabeça de lista do PS no nosso distrito, tem evidenciado (enquanto presidente da Comissão Parlamentar de Ética) a sua invulgar preparação técnica e política (no sentido mais nobre que este termo encerra). Brilhou alto explicando o estatuto dos deputados, foi consistente nas críticas ao “sistema de imunidades” e esclarecedor no que toca ao regime das escutas telefónicas. A competência agora (uma vez mais) demonstrada remete-nos para o melindroso episódio que envolveu juristas e políticos a propósito do estatuto do Tribunal Penal Internacional. Poucos se aperceberam, na devida altura, da desconformidade do referido estatuto em relação ao nosso texto constitucional. Este mesmo pormenor escapou, inclusivamente, ao próprio procurador-geral da República. Jorge Lacão, porém, estava atento e a necessária revisão constitucional (de carácter extraordinário) foi efectuada com o exigido rigor.Imunidades e desigualdadesDiscordo totalmente das imunidades, tanto no Parlamento, como fora dele. Todavia, respeitando o princípio constitucional que legitima a sua existência, considero, no mínimo, estranho que este regime nunca tivesse sido estendido aos autarcas das câmaras e das juntas de freguesia (tanto mais que a própria Constituição da República o prevê). Deverão estes políticos eleitos directamente (presidentes de câmara e presidentes de junta) depender de um estatuto diferente do dos deputados? Será o seu contributo menos importante no que se refere ao prestígio e ao desenvolvimento de Portugal? AssembleiaA recente e breve polémica sobre a Assembleia Distrital de Santarém provou o declínio deste órgão em benefício das pujantes associações inter-municipais.Vamos às duas questões colocadas pelos leitores:a) quanto ao pessoal adstrito às assembleias distritais, importa salvaguardar, integralmente, os respectivos postos de trabalho e garantir todos os direitos dos correspondentes funcionários (através da administração central, das autarquias ou das associações de municípios);b) relativamente aos bens que hoje pertencem à Assembleia Distrital de Santarém, recorde-se que os titulares originários do seu direito de propriedade não foram os municípios. Assim, caso este órgão distrital cesse as suas funções sem ter deliberado transferir os bens em causa para as respectivas autarquias, todo o seu património irá directo para o cadastro privado dos bens do Estado.Tudo o resto é poesia para ler nas próximas férias junto à “Colónia Balnear da Nazaré” (actualmente pertença da Assembleia Distrital de Santarém).LíderPedro Ribeiro, vereador da Câmara de Almeirim, alcançou a presidência da Associação Nacional de Jovens Autarcas do PS, nas eleições disputadas em Santa Comba Dão.O respectivo colégio eleitoral envolveu cerca de 300 jovens autarcas de todo o país.Constitui motivo de orgulho para este distrito que já tem o mais jovem presidente de Portugal (Paulo Caldas, do Cartaxo) receber esta notícia acerca de mais um promissor autarca da nossa terra.Sinceras felicitações, extensivas à JS/Ribatejo e ao Presidente José Sousa Gomes. Santarém, 6 de Junho de 2003.jmnoras@mail.telepac.pt

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