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União de Almeirim sem dinheiro e atolado em dívidas

Sócios não querem o fim do futebol sénior mas a continuidade é muito remota

O União de Almeirim precisa de cerca de cerca de seis mil e quinhentos euros (1.300 contos) para poder inscrever os jogadores da sua principal equipa de futebol, inscrição que tinha que ser efectuada até ao dia 13 de Agosto. Nos cofres do clube não há dinheiro e os dirigentes não sabem onde é que o podem ir arranjar. Na assembleia-geral realizada no dia 11 de Agosto, a situação foi discutida e a suspensão do futebol sénior foi apontado como uma hipótese para estabilizar o clube. Os sócios presentes recusaram essa suspensão, mas não deixaram qualquer caminho aberto para que a direcção conseguisse encontrar as verbas que são necessárias e não tem.

Edição de 13.08.2003 | Desporto
O União de Almeirim vive a pior crise do seu historial: não tem dinheiro, está atolado em dívidas, os jogadores e equipa técnica da época passada ficaram a arder com seis meses de subsídios em atraso, as dívidas ao fisco e à segurança social são enormes e os acordos feitos com aquelas entidades não têm sido cumpridos a cem por cento. As dívidas a particulares também não são liquidadas, e são já três os processos colocados em tribunal por ex-jogadores do clube a reclamaram verbas a que dizem ter direito.O próprio presidente da assembleia-geral do clube, José Sousa Gomes, que também é presidente da Câmara de Almeirim, revelou que está a pagar, do seu bolso, juros de uma letra de dezanove mil e quinhentos euros, que o clube devia ter pago e não o fez, e está também a pagar verbas de um leasing de uma máquina que foi comprada para o posto médico. “A situação é aflitiva para o clube, e eu também já estou a ficar com a corda na garganta”, referiu Sousa Gomes, que acrescentou ainda que também já teve que pagar do seu bolso um mês de ordenado ao funcionário do campo, porque ele estava a passar por dificuldades.A actual direcção, presidida por Tomás Barreiro, já não sabe o que há-de fazer para contornar a situação porque todas as portas se têm fechado. “Não houve uma única porta onde nós fossemos bater que se tivesse aberto. A única verba que está garantida é o subsídio da câmara, e mesmo esse só a partir de Outubro, e essa verba só pode ser canalizada para pagar as dívidas”, garantiu o presidente.Mas os sócios presentes na assembleia não se comoveram com todos os problemas que o clube atravessa. O associado José Galego, um homem experiente e que já passou por várias direcções do clube, chamou a atenção para o facto de ser quase impossível continuar com o futebol sénior, porque mesmo com um orçamento baixo são precisos cerca de cerca de seis mil e quinhentos euros por mês, e a direcção não tem patrocínios. “É preferível cortar um braço para salvar o corpo, do que continuar a afundar o clube. Eu já me disponibilizei para ajudar a pagar as dívidas, mas não contem comigo para ajudar a acabar com o União de Almeirim, que é o que vai acontecer se continuar a correr para o abismo, com o futebol sénior”.Mas, apesar de tudo, talvez por receio de ficar ligada a uma fase muito crítica e acusada de ter acabado com o futebol sénior no clube, nem a direcção nem os membros da assembleia conseguiram transmitir aos sócios que como as coisas estão não é possível continuar com o futebol do escalão mais elevado, porque não há dinheiro para pagar aos jogadores nem para as restantes despesas.Tomás Barreiro, que nunca pareceu muito disposto a abandonar a presidência do clube, ainda fez uma proposta, que apresentava um grupo de associados para financiarem o futebol sénior, com uma conta gerida por eles próprios, mas dos nomes que referiu só estavam na sala três sócios, que nem sequer se manifestaram. Noutra versão, Tomás Barreiro, que no final da reunião disse que ia pensar bem no que devia fazer, ainda fez mais um acto de contrição e garantiu que se houvesse um patrocinador que se disponibilizasse para ajudar o clube, com a condição de que a actual direcção saísse, ou que mesmo ali naquela reunião aparecesse um grupo de pessoas dispostas a formar uma comissão administrativa, ele e os colegas não hesitariam em abdicar, mas ninguém se manifestou.A discussão foi muito acalorada mas nunca apontou na direcção de encontrar formas de solucionar um problema que parece ser insolúvel. Numa última tentativa para entrar no coração e na carteira dos sócios, Tomás Barreiro garantiu que ele e um outro director estavam dispostos a adiantar a verba de cerca de cinco mil euros necessários para fazer a inscrição dos jogadores, e apelou aos sócios presentes para que ajudassem a arranjar os outros mil setecentos e cinquenta euros necessários para pagar a dívida à Associação de Futebol de Santarém, condição indispensável para se poder avançar com o processo. A resposta foi muito fraca: foram poucos os associados que se dispuseram a ajudar e os que o fizeram apontaram para verbas irrisórias.Neste momento, e apesar do não dos sócios, a suspensão do futebol sénior no União de Almeirim ainda é a hipótese mais plausível e realista, mesmo com todos os custos desportivos e financeiros que isso acarreta para o clube. Se desistir do campeonato, o Almeirim será multado em dois mil euros e durante dois anos não pode participar em qualquer campeonato de seniores, sendo obrigado depois a regressar à competição na segunda distrital.Perante todas estas dificuldades os actuais dirigentes ficaram sem saber como é que irão ultrapassar todos estes problemas. No final da reunião, Tomás Barreiro disse ao nosso jornal que ia pensar muito bem no assunto. “Nunca fui homem de desistir. Eu e os meus companheiros de direcção vamos fazer um esforço nestes dois ou três dias que faltam para fazer as inscrições e para desbloquear a situação, mas também vou equacionar a hipótese de escrever uma carta de demissão”, concluiu o dirigente.

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