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Conservadores e desconfiados

Portugueses usam pouco o correio electrónico
Edição de 17.09.2003 | Economia
Preferência pelo comércio tradicional e falta de confiança são os dois maiores obstáculos à dinamização das compras através da Internet, opção utilizada por apenas cinco por cento dos portugueses, indicam dados divulgados na semana passada. Os resultados do inquérito à utilização das novas tecnologias pela população, a que a Agência Lusa teve acesso, revelam que a quase totalidade dos portugueses não recorre ao comércio electrónico, apesar de 95 por cento nunca ter tido uma experiência negativa que o pudesse justificar.Apesar da taxa de crescimento médio anual (TCMA) do comércio electrónico se situar nos 71 por cento, os resultados indicam que o recurso à Internet para fazer compras é ainda residual.O levantamento, realizado pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) em Julho passado revela que, para os portugueses, a tradição ainda é o que era, razão apontada por 44 por cento dos inquiridos para não comprar em frente do ecrã do computador.Mais de 20 por cento aponta a desconfiança como principal razão para optar pelos meios tradicionais de comércio, enquanto que apenas sete pc teme a insegurança com a garantia, modo de entrega e devolução de produtos danificados. Os (poucos) que compram através da Internet fazem-no pela possibilidade de aceder a produtos raros ou indisponíveis no país (23 pc), ou pela comodidade do processo, que evita deslocações desnecessárias (21 pc).Livros, revistas, jornais (36 por cento), artigos de música ou vídeo (35), software de computador (22), equipamento electrónico (15), viagens (15), bilhetes de teatro ou concerto (13), são os artigos mais comprados pela rede. O pagamento é feito on line, com cartão de crédito, na quase maioria das compras (44 pc), enquanto que 12 por cento só paga no acto de entrega.Os resultados do inquérito são mais animadores relativamente à utilização do computador: 53 por cento dos inquiridos fazem-no, o que traduz uma taxa de crescimento médio anual (TCMA) de 14 por cento. A mesma tendência de crescimento verifica-se no número de utilizadores de Internet, 39 por cento, com uma TCMA de 25 pc.Apesar de em franco crescimento (a TCMA de posse de ligação à Internet nos agregados familiares é de 52 pc), apenas 28 pc das famílias portuguesas têm um computador ligado à rede, com o preço a funcionar como elemento dissuasor. A dinamização das compras electrónicas é uma das bandeiras do Governo para controlar as despesas públicas. O Executivo contratualizou este mês um projecto, por enquanto limitado a sete ministérios, que vai permitir reduzir entre dez e 20 por cento os custos das transacções entre 2003 e 2006 na Administração Pública.Para isso, o Governo vai investir meio milhão de euros nos projectos piloto que funcionarão até ao início de 2004, altura em que a UMIC espera estender as compras electrónicas a toda a Administração Pública. As compras dizem respeito essencialmente a material de escritório, equipamento informático, material didáctico e consumíveis de informática.Aquando da assinatura dos contratos entre as empresas responsáveis pela implementação dos projectos e os ministérios da Justiça, Saúde, Educação, Obras Públicas, Defesa, Segurança Social e Trabalho e Presidência de Conselho de Ministros, o gestor da UMIC, Diogo Vasconcelos, disse esperar que o processo, que se insere no Programa Nacional de Compras Electrónicas, “desencadeie um efeito tipo bola de neve” que fará com que as empresas portuguesas adiram ao comércio electrónico.Lusa

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