Mais visitantes, menos expositores
Fersant acabou no domingo sob o signo da crise
A Fersant decorreu de quinta a domingo sob o signo da recessão. A feira teve mais visitantes, até porque as entradas eram gratuitas, mas os expositores foram menos do que no ano passado. Na inauguração, o presidente da Nersant voltou a pedir ao Governo medidas excepcionais de apoio ao tecido empresarial do distrito.
A edição 2003 da Feira Empresarial da Região de Santarém (Fersant) registou mais visitantes do que as anteriores cinco edições, segundo informação do director executivo da Associação Empresarial da região de Santarém - Nersant, Filipe Martins. No entanto, o período de crise e de contenção também se fez sentir neste certame apostado em promover as empresas da região que decorreu no pavilhão da associação empresarial em Torres Novas de quinta a domingo.Com menos expositores do que em 2002, a Fersant acabou por ser uma mostra representativa do tecido empresarial da região, onde começa a notar-se alguma retoma. E a secretária de Estado do Comércio, Indústria e Serviços, Maria do Rosário Ventura, fez referência a isso mesmo durante a inauguração. “Percebe-se uma maior confiança por parte dos empresários expostos, embora continuem com grandes problemas, principalmente ao nível do cumprimento dos prazos de pagamento. Por outro lado”, continuou, “é menos positivo o menor número de expositores que participam na feira”.Este ano, a Fersant contou com 87 expositores, menos 15 do que no ano passado, e sem a habitual presença da Companhia de Celulose do Caima. “Essa empresa não pode estar presença porque estava numa feira internacional”, esclareceu Filipe Martins. No entanto, é inegável que a contenção se fez sentir: “Sempre que há um período de retenção os primeiros reflexos vão para a promoção e marketing, isso foi visível na feira”, admitiu o mesmo responsável.A anualmente equacionada hipótese da Fersant ser realizada noutro local que não Torres Novas continua a estar presente, mas da edição deste ano ainda é prematuro tirar conclusões: “Os expositores ficaram agradados com a disposição da feira, com o facto de termos instalado as tasquinhas dentro dos pavilhões, e com o número de visitantes, mas teremos de analisar o problema em conjunto com os empresários”, adiantou Filipe Martins.Para José Eduardo Carvalho, presidente da Nersant, a situação que se vive no país, nomeadamente o encerramento diário de empresas, é pior do que a que se verifica na região. “Em Santarém, temos escapado a essa situação de encerramento de empresas, naturalmente porque o nosso tecido empresarial é muito diversificado”, justificou. No habitual discurso na sessão inaugural da Fersant, José Eduardo Carvalho, fazendo a leitura de vários indicadores económicos, concluiu que os “dados do último mês apresentam uma ligeira tendência para a recuperação, ainda que muito lenta. O indicador da evolução do volume de negócios dá conta também da alteração na tendência negativa que vinha a verificar-se”.Porém, estas informações são apenas indícios de mudança. É necessário, segundo José Eduardo Carvalho, encontrar um modelo de crescimento económico “assente no incremento das exportações, na captação de investimento externo e na dinamização da produção de bens transaccionáveis. Esta é uma tarefa complexa para as empresas” A nível regional, o presidente da Nersant defende a criação de “um fundo de capitalização específico” e a reanálise na aplicação de algumas medidas do PRIME (Programa de Incentivos à Modernização Empresarial). “Não faz sentido limitar a sua aplicação aos mecanismos de garantia mútua e ao apoio à criação de empresas de suporte económico. Em Leiria, a 20 minutos do local onde nos encontramos, todas as 14 medidas do programa têm aplicação prática naquele concelho. Situação que nos causa algum desencanto e uma profunda decepção”, afirmou José Eduardo Carvalho, dirigindo-se à secretária de Estado.Empresários e autarcas da região assistiram à sessão solene no auditório da Nersant, onde por fim discursou Maria do Rosário Ventura. A governante não respondeu directamente às questões colocadas por José Eduardo Carvalho, optando por enunciar as medidas do actual governo para regularizar as finanças públicas. No caso da região de Santarém, houve uma sobreavaliação dos rendimentos pelo facto de estar inserida na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Por outro lado, por “má gestão do governo anterior” esgotaram os fundos para esta região, afirmou.Depois dos discursos, houve a tradicional visita aos pavilhões e Maria do Rosário Ventura não deu mostras de estar com pressa. Falou com quase todos os expositores e calmamente tentou inteirar-se dos sectores da actividades e das dificuldades que sentiam.Margarida Trincão
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