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Entre a jardinagem e a junta

António Baptista Marques é presidente de Vale do Paraíso há seis anos
Edição de 17.12.2003 | O poder local aqui tão perto
António Baptista Marques, 49 anos, presidente da Junta de Freguesia do Vale do Paraíso, divide o seu tempo entre a vida autárquica, a agricultura, a criação de gado e o trabalho na empresa de jardinagem que criou há quatro anos.O tempo escasseia, mas sempre que há uma hora extra o autarca dedica-a à terra. Quando é preciso acompanhar uma obra ou assinar um documento desloca-se prontamente ao edifício da junta, a dois passos do estabelecimento comercial que gere com a ajuda da esposa.O presidente da junta vai a meio do segundo mandato. Candidatou-se como independente, mas já depois de exercer funções autárquicas tornou-se militante do PS. Logo após o 25 de Abril fez parte da primeira comissão de moradores do Vale do Paraíso, que conquistou o posto de médico para a freguesia. Encara a política como algo natural que faz parte da vida e assume-se como um apologista dos valores democráticos, da liberdade e da tolerância.A criação de uma sala polivalente para servir refeições na escola foi uma das lutas do presidente da junta, que achou que esta seria uma forma de tentar fixar as pessoas de modo a que o estabelecimento não tivesse que fechar como tantos outros.Já neste mandato a junta contratou um calceteiro e fez 1700 metros de passeio na freguesia, asfaltou todos os caminhos de acesso a habitações permanentes e arranjou o fontanário. No centro povoação está a surgir a Casa Colombo, a futura sede do grupo de folclore, que terá galeria de exposições. É ao lado que vai nascer o parque infantil da freguesia, outro dos sonhos do presidente.Nas horas livres o autarca gosta de passear com a família e ir ao cinema. A “cultura do palavrão” a que se assiste no futebol afasta-o do desporto e deixa-o chocado. Considera que o futebol tem mais de comércio do que de desporto e nunca visitou as grandes catedrais. Tornou-se apenas simpatizante do ciclismo do Sporting. É consumidor assíduo de jornais e revistas, que normalmente prefere à televisão. No pequeno ecrã vê apenas a informação do segundo canal.A vida autárquica não lhe deixa muita disponibilidade para a família que também sai de casa muito cedo. A esposa é quem se ocupa a gerir o café e a papelaria da família e os dois filhos deslocam-se a Lisboa todos os dias. A filha, de 21 anos, é estudante de Gestão e o filho, 20 anos, frequenta o curso de Engenharia Civil.Filho de pai natural de Vale do Paraíso e de mãe nascida em Alvados, o presidente da junta nasceu em Lisboa, mas veio para a terra com quatro anos. Estudou em Azambuja e concluiu o curso industrial de mecânica à noite, em Vila Franca de Xira, já a trabalhar na Mague, uma empresa de metalomecânica sediada em Alverca. Na altura a companhia já concedia aos trabalhadores-estudantes duas horas por dia. Foi lá que trabalhou durante 20 anos até à extinção da empresa. Durante seis anos esteve deslocado em Sines e andou afastado da freguesia. Voltou para herdar o trabalho do pai, proprietário de um café que o presidente da junta passou a dirigir. Ao lado abriu, em 1988, a única papelaria da freguesia. Continua a dedicar-se à agricultura e fez plantação de tomate até ao ano passado. Agora dedica-se mais às culturas arvenses.

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