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O poeta do Largo dos Namorados

O poeta do Largo dos Namorados

Edição de 17.12.2003 | O poder local aqui tão perto
Paulo Pinto Pereira, um carpinteiro nascido e criado no Vale do Paraíso, descobriu a poesia aos 73 anos. Agora que as preocupações do trabalho o deixaram mais livre coloca todas as suas energias ao serviço da poesia. No Largo dos Namorados, onde reside com a sua companheira de sempre, deixa-se inspirar pela paisagem bucólica que alcança da varanda do jardim público mesmo em frente à antiga casa dos seus pais, onde hoje reside.As quadras surgem-lhe a todo momento. Quando se ocupa de um ou outro biscate na oficina e à noite em casa enquanto a esposa se entretém a entrelaçar as espiguilhas. As bases históricas para a poesia conseguiu-as através de documentos da Torre do Tombo.A beleza da terra que o viu nascer e a terceira idade são os temas que o inspiram. Debruçado sobre a mesa de trabalho, onde arranja cadeiras e portas em madeira, vai construindo mentalmente os poemas que depois alguém irá transpor para o papel. As últimas folhas que ostenta com orgulho são poemas dedicados à freguesia que foram passados no computador da junta de freguesia. É um apaixonado pela terra onde vive feliz. Conta a história da freguesia e as propriedades milagrosas da água férrea que nasce na povoação. Nas excursões em que viaja recita poemas e interpreta músicas. O seu sonho é que as suas quadras possam também ser cantadas. Em breve vai começar a ensaiar “Melodias de Sempre” para um espectáculo marcado para Fevereiro na colectividade, que conta com a participação de vários habitantes. Está velho de idade, mas novo de espírito. A médica de família é uma das primeiras a apoiá-lo nas suas intensas actividades multiculturais. Depois de concluir a quarta classe o poeta popular trabalhou como carpinteiro e durante 36 anos foi fiel de armazém na Empresa Pública de Armazenamento de Cereais, em Ponte de Sor. Às três iniciais do seu nome, Paulo Pinto Pereira acrescentou mais um P - de Poesia. Ao longo dos anos as quadras mantiveram-se guardadas no coração. Hoje soltam-se-lhe na fluidez do discurso: “Não é poeta quem quer/ Mas quem já nasceu assim/ Eu nasci como poeta/ A poesia vive em mim (...)”.
O poeta do Largo dos Namorados

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