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O melhor e o pior de 2003

Santarém

“Os homens não são nem tão bons nem tão maus como as suas opiniões”(James Mackintosh)A terceira melhor obra, na cidade, foi a Respública que a fez, ao transformar uma galeria de arte num amplo espaço de “pão com livros” e de “café com cultura” — impecável!

Edição de 07.01.2004 | Opinião
O melhor de 2003OBRASSigo, de novo, o princípio da estimulante variedade de perspectivas inspiradas pelo caminho do que é múltiplo e plural. Com efeito, nada partilha mais os lençóis da divergência do que o leito (e o direito) de opinião. Elejo, assim, como obra exemplar em Santarém, no ano de 2003, a reutilização do pátio do Seminário e a sua ligação à praça com o mesmo nome. Quer o parque de estacionamento ali criado, quer a sua relação directa com o Largo do Seminário constituíam velhas apostas dos escalabitanos. Acresce que as soluções encontradas adicionaram valor à cidade histórica sem penalizar aquilo que nela é significativo e que, por isso, deverá transitar para a memória dos vindouros.Curiosamente, depois de concretizada esta obra, houve quem se insurgisse na Assembleia Municipal (no período do público), adjectivando o referido investimento como “um crime contra Santarém”. Escutei, pasmado, tamanho despautério. Nenhum desígnio político poderá implicar mutações opinativas desde o zero ao infinito. Pior do que isto, só a resposta então dada pela autarquia: “tratou-se de uma obra da Diocese”. Sendo assim, as mais vivas felicitações ao reverendíssimo Bispo de Santarém e a todas as personalidades que ajudaram a viabilizar (sem temer críticas) tão importante empreendimento para a nossa cidade – de entre essas personalidades, saliento o engenheiro Rosa Tomás (concessionário do parque) e o Vereador das Obras Municipais que, inclusivamente, compareceu no respectivo acto inaugural. A segunda melhor obra (na minha hierarquia) quase passou despercebida. Contudo, o seu alto significado varia na razão inversa da respectiva publicidade, que foi praticamente nula. Refiro-me às modernas instalações da ASPA (Associação Scalabitana de Protecção dos Animais), fruto de uma meritória colaboração da Câmara de Santarém, com o apoio financeiro da IGI-SONAE.A terceira melhor obra, na cidade, foi a Respública que a fez, ao transformar uma galeria de arte num amplo espaço de “pão com livros” e de “café com cultura” — impecável!INVESTIGAÇÃOCIENTÍFICAConseguindo o feito raro de provocar uma pausa no infindável repertório de “portugalofilia”, as televisões, as rádios e os jornais divulgaram, repetida e pormenorizadamente, as descobertas científicas levadas a cabo, no domínio da saúde, pelo talentoso químico e investigador escalabitano Miguel Castanho (filho de Isabel e de Joaquim Botas Castanho, Cônsul do Brasil), já distinguido com diversos prémios internacionais de investigação científica.TRADIÇÕES HISTÓRICAS E CULTURA LOCALQuando a regra consiste na procura e na valorização das tradições históricas como títulos de maior prestígio na gala dos municípios, torna-se obrigatório destacar dois acontecimentos que lançaram Santarém nos caminhos da notoriedade: o congresso internacional dedicado à vida e à obra do escalabitano Infante Santo (nascido em 1402) e o VI Congresso Mundial das Cidades Taurinas, premiando um trabalho de “dessacralização” de uma herança tão polémica quanto rica e inesgotável. A estas duas novidades, importa somar as iniciativas que, ano após ano, ajudam a delinear (cada vez com maior perfeição) a “assinatura cultural” de Santarém: Festival Internacional de Folclore “Celestino Graça”, FITIJ, Encontro de Bandas (Santarém, Alcanede, Xartinho e Gançaria), Concerto Anual da Orquestra Típica Scalabitana, investigações de natureza histórica regularmente publicadas no centenário Correio do Ribatejo, programação musical para as freguesias do concelho e encontros periódicos com escritores de renome na Biblioteca Braamcamp Freire.PERSONALIDADES DO ANOAs quatro personalidades mais marcantes de 2003 são, em meu entender, as seguintes: Veríssimo Serrão, pelas “plantas culturais” de que está a cuidar; D. Manuel Pelino Domingues (o nosso Bispo), atendendo às “flores do espírito” que produziu; Miguel Castanho, considerando os frutos já amadurecidos das suas investigações científicas; e Joaquim Emídio, em virtude das sementes que pôs a germinar na editora “O Mirante”, a maior do distrito de Santarém. (fim da primeira parte)Santarém, 31 de Dezembro de 2003.

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