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Golos apimentaram jogo sem emoção

Golos apimentaram jogo sem emoção

Fazendense goleou (6-1) União de Almeirim em derbi sem história

Desta vez não houve emoção nem equilíbrio. O Fazendense goleou o União de Almeirim por 6-1, um resultado que quase fez esquecer que estiveram frente a frente dois velhos rivais.

Edição de 14.01.2004 | Desporto
Os derbis concelhios disputados entre o Fazendense e o União de Almeirim são habitualmente vividos com grande intensidade, dentro e fora das quatro linhas. Mas o jogo disputado no domingo nas Fazendas fugiu à regra. A superioridade dos anfitriões foi por demais evidente, e assim só os sete golos que se marcaram apimentaram um jogo que não teve um pingo de emoção.Cedo se viu que o caudal ofensivo dos fazendenses iria fazer mossa na frágil equipa do União de Almeirim, onde os jogadores se batiam com grande dignidade mas sem força e categoria para contrariar o maior poderio do seu adversário. Quando aos 32 minutos de jogo Vitinho, na recarga a uma defesa de recurso do João Pedro, marcou o primeiro golo do Fazendense, já os avançados da equipa comandada por Jorge Moreira estavam a dever a marcação de mais dois ou três, tal o caudal de oportunidades perdidas.Contudo, os briosos jogadores do União de Almeirim também podiam ter marcado, quando, mesmo em cima do apito final da primeira parte, Chico Montalegre marcou de forma soberba um livre directo, proporcionando a Pratas a defesa da tarde. Mas quando as equipas regressaram aos balneários, no final dos primeiros quarenta e cinco minutos, a vantagem de 1-0 por banda do Fazendense já pecava por ser escassa.No segundo tempo, a equipa do Fazendense entrou melhor, mais calma e mais lúcida e marcou o segundo golo logo aos 47 minutos. Rebita, agora a jogar a ponta de lança, fez uma excelente jogada pelo flanco esquerdo, entrou na área e deu a bola para trás, onde em corrida apareceu Matias a disparar para o fundo da baliza de João Pedro.A equipa do União de Almeirim quebrou nitidamente e os golos foram surgindo com naturalidade, dando amplitude a uma superioridade evidente dos fazendenses, que mesmo refreando o ritmo atacante, conseguiram uma goleada. Aos 60 minutos, Vargas aproveita da melhor maneira um passe de Rui Lopes para fazer o terceiro golo da sua equipa.No entanto, a equipa comandada por Fernando José, apesar das suas limitações, mantinha uma postura digna, jogando o jogo pelo jogo, e também criou uma ou duas oportunidades de golo que os seus avançados desperdiçaram. Aos 72 minutos, Vargas aproveitou a marcação de um canto para, de cabeça, marcar o quarto golo do Fazendense. E dois minutos depois, Rebita aproveitou da melhor maneira uma jogada rápida de contra-ataque para fazer o quinto golo da sua equipa.Os jogadores do União de Almeirim reclamam que o golo foi marcado na posição de fora de jogo e o guarda-redes João Pedro excedeu-se nos protestos e acabou por ser brindado com o cartão vermelho. Foi expulso e deixou a sua equipa reduzida a 10 elementos. Para o seu lugar entrou Francisco Inês, que obrigou à saída de Hugo Domingues. Curiosamente foi já com menos um elemento que a equipa do União fez o golo de honra, quando iam decorridos 85 minutos. O seu autor foi Sardinheiro, que aproveitou da melhor maneira um alívio da defesa do Fazendense para desferir um forte remate de ressaca, que levou a bola a entrar como um bólide na baliza defendida por Pratas.O sexto e último golo do Fazendense aconteceu aos 88 minutos, e foi obtido através da marcação de uma grande penalidade, a castigar um derrube de Valter Guedes sobre Rebita. Rui Lopes, que se encarregou da marcação, não deu hipóteses de defesa a Francisco Inês.A equipa de arbitragem teve uma actuação regular. Diferença é muito grandeNo final do jogo, os treinadores das duas equipas estavam perfeitamente de acordo quanto à justiça da vitória do Fazendense. Embora o treinador adjunto do União de Almeirim, Filipe Rego, fizesse questão de destacar a dignidade com que a sua equipa se bateu, e considerasse a derrota demasiado pesada, também referiu que “o Fazendense é manifestamente mais forte do que nós, e neste jogo justificou isso mesmo. Agora vamos tentar pontuar no próximo jogo, que é em nossa casa e com uma equipa com um valor bem mais aproximado do nosso”.Jorge Moreira está invicto como treinador principalQuatro jogos, quatro vitóriasO actual treinador do Fazendense, Jorge Moreira, que tomou conta da equipa após a saída de Carlos Brito, é um dos mais jovens treinadores do nosso futebol. Ainda não ultrapassou a casa dos trinta anos, e garante que até à altura em que lhe foi pedido para assumir interinamente o comando da equipa, não tinha pensado em ser treinador principal. “Mas aceitei o repto, dispus-me a correr o risco, porque sabia que tinha condições para desempenhar a função”, referiu à nossa reportagem.“Quando falaram comigo para ficar à frente da equipa era só até se encontrar um novo treinador. No entanto, na semana a seguir propuseram-me a possibilidade de passar a efectivo. Depois de pensar bem, decidi aceitar, porque é preciso começar por qualquer lado, e nada melhor do que, como foi o meu caso, começar num clube que conheço muito bem. Já estou no Fazendense há dezassete anos e por isso conheço bem os cantos à casa”, garantiu Jorge Moreira.O jovem treinador reconhece que foi um risco, por ser muito novo, e porque tem vários jogadores na equipa que são mais velhos do que ele. No entanto, assume também que foi um risco muito bem ponderado e destaca a forma como foi aceite pelos jogadores. “Têm sido espectaculares, têm acatado todas as minhas ordens e têm trabalhado como ninguém. Só lhes tenho a agradecer até agora”, referiu.O pedido que lhe foi feito pela direcção do clube foi o de reorganizar a equipa e lutar para a tirar do lugar crítico que ocupava. É precisamente isso que tem sido feito com êxito, sem reforços na equipa, porque também não os pediu. Jorge Moreira faz um balanço bem positivo deste tempo que está a frente do plantel. “Obtivemos vitórias nos quatro jogos que disputámos e a equipa já ocupa um lugar mais tranquilo na tabela classificativa, que treinador é que não estava satisfeito com isso”, questiona com satisfação Jorge Moreira.Na verdade muito mudou na equipa do Fazendense desde que Jorge Moreira tomou o seu comando técnico, situação mais visível na colocação em campo dos jogadores. “É verdade, algumas das adaptações foram feitas por necessidade, porque sabemos que o clube não pode investir em novas contratações, e é verdade que resultaram quase em pleno”.Por outro lado, o conhecimento que tinha dos jogadores foi muito importante para o êxito que teve. “Tenho muita confiança nos jogadores que tenho à minha disposição, e para além de ter ficado muito satisfeito com o facto de Vargas continuar no plantel, vou agora ter dois novos reforços que já fazem parte do grupo de trabalho, que são os jogadores Valbom e Luís Amante, que estavam lesionados há muito tempo.
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