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Meu bom enólogo Serafim das Neves

Edição de 18.02.2004 | E-mails do outro mundo
Não posso aceitar o ilustre cargo de presidente da comunidade urbana vitivinícola para o qual me convidas por uma questão de justiça. Se há alguém digno de o ocupar és tu. E se a modéstia te impede, bebe dois copos de um bom reserva e vais ver se não te desinibes logo. Se mais tarde fizeres a esmola de me aceitar como quarto ou quinto secretário, ficarei muito honrado. Honrado ao ponto de te oferecer uma caixa de Quinta do Côto, grande escolha. Está prometido.Quanto às mini-saias tu tem mas é calma. Olha que ainda te dá uma solipampa. Eu sei que estes dias de Primavera nos fazem sentir bem mais jovens que as nossas carcaças, mas é preciso algumas cautelas. Com o coração e com os outros. A tua mulher pode não achar graça a esse ar desvairado que ostentas quando vais ao pé dela e passa uma brasa com o ventinho a enfunar-lhe o trapo a que ela insiste em chamar saia. O namorado da menina pode ser ciumento e dar-te uma basquilha à falsa fé. A chavalita pode ter menos de 15 anos, apesar de ter pernas e mamas Queen size, e lá passas tu por pedófilo.Serafim, gostei muito de ler aquela notícia do Rebocho, concelho de Coruche. A do senhor que disfarçou os buracos da estrada com a grade de discos do tractor. As iniciativas populares, em defesa do bem estar, são de enaltecer. Só foi pena que a lavragem não tenha sido aproveitada para plantar hortaliça. Mas até se compreende. Se há nabos que deixam as estradas chegar a tal degradação, para quê produzir mais vegetais do género, sejam repolhos ou nabiças!!?E depois há nabaria por todo o lado. Quem diz que Portugal não é um país essencialmente hortícola está redondamente enganado. Nabos na estrada. Nabos nos Ministérios. Nabos à frente da maior parte das empresas. Nabos a dirigir o futebol. Nabos armados em professores. Nabos, nabos, nabos. Cum carago! Cum camandro! Um documentário no nosso país dá prémio de cinema em qualquer festival de cinema fantástico. Eu deixo aqui sugestões para títulos. Actores é o que não falta. “A invasão dos nabos”; “O país dos cabeças de nabo”; “O poder maléfico dos nabos”; “Cercado por nabos”; “Nabofobia”. E porque não um festival. O fantásnabo, por exemplo??!!Em Lisboa o Santana Lopes, ou seja, o presidente da câmara que é pré-candidato a presidente da república diz que, no futuro vai ser chique utilizar os transportes públicos. Eu concordo com aquele optimismo todo. Aqui pelos nossos lados, por exemplo, estamos há muito tempo no caminho do chique. Entramos num autocarro e é um chiqueiro do caraças. O que vale é que os autocarros não são muitos. Mas lá iremos. Ao chique, pois claro. Depois de passarmos do chiqueiro ao choque.Do que eu gosto mesmo é dos autocarros locais. Nunca andei em nenhum e poucos vi, mas gosto daquelas fotografias que aparecem nos jornais. Com velhinhas sentadas e autarcas de pé a sorrirem para as objectivas. Se não fossem as reportagens e os mini-inquéritos alguma vez saberíamos da existência de tais meios de transporte? Nunca, Serafim. Nunca, mesmo.E já experimentaste ficar à espera de um mini-bus à hora de ponta quando tens que chegar rapidamente a algum lado. Ao emprego, por exemplo? Confesso que não me atrevo a fazer tal experiência mas estou curioso em saber o resultado. Se te der na maluqueira de testar a coisa no terreno, como dizem os políticos, não te esqueças de me contar. E conta-me também qualquer coisa daquela tua simpática amiga ucrâniana. A tua mulher disse-me que suspeita que lhe andas a ensinar a língua portuguesa. E o tom com que se referiu a essa tua costela linguístico-filantrópica não augurava nada de bom. Se por motivos de força maior te vires impedido se prosseguir o trabalho, conta comigo. Afinal, os amigos são para as ocasiões.Saudações professorais do Manuel Serra d’Aire

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