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Entre a ruralidade e a indústria transformadora

Entre a ruralidade e a indústria transformadora

Amiais de Baixo tem apenas seis quilómetros quadrados mas uma enorme capacidade empreendedora

Amiais de Baixo fica numa zona essencialmente rural, nas proximidades das Serras de Aire e Candeeiros, mas é uma terra bastante desenvolvida. Cerâmica e transformação da madeira são as principais actividades da freguesia, que tem pouco mais de seis quilómetros quadrados.

Edição de 18.02.2004 | O poder local aqui tão perto
Amiais de Baixo é, talvez, a freguesia mais atípica do concelho de Santarém. Composta por um aglomerado urbano muito concentrado, é conhecida pela garra, união e capacidade de trabalho das suas gentes. A diferença nota-se até na forma de falar. Uma boa parte dos moradores tem um sotaque semelhante ao açoriano, que é também uma das imagens de marca da terra.A maior parte dos cerca de 2300 habitantes, número que se tem mantido constante nos últimos anos, reside na sede de freguesia, que tem pouco mais de seis quilómetros quadrados e se divide por mais cinco pequenos lugares. A concentração das casas, que se colam umas às outras, é uma das razões para a união entre todos. Quando toca a defender a honra da terra ou de um dos seus, até os vizinhos desavindos esquecem as divergências e defendem os seus conterrâneos.Embora seja uma freguesia rural, a população de Amiais não vive da agricultura. O comércio, a transformação de madeira e a indústria do barro vermelho, com várias cerâmicas que produzem telhas e tijolos para uma boa parte da região, são as principais actividades a que se dedicam os residentes na freguesia. Os mais velhos ainda mantêm alguma produção hortícola e vinícola, essencialmente para consumo próprio, bem como a criação de gado caprino e suíno. A carne de capado (cabrito adulto) é uma das principais especialidades da gastronomia local.Amiais de Baixo cresceu bastante após a instalação da rede eléctrica, em 1958. Crescimento que se consolidou com a elevação a vila, a 21 de Junho de 1995. A sua localização, entre Alcanede (Santarém) e Alcanena, levou a que a terra mudasse várias vezes de entidade administrativa. Começou por fazer parte da freguesia da Louriceira, no final do século XVI passou para Malhou, onde se manteve até 1852, ano em que foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Graça de Amiais. As mudanças de concelho também foram várias. Inicialmente estava no concelho de Alcanede, passou depois para o concelho de Pernes e só no final do século XIX passou para o de Santarém.Situada a cerca de 25 quilómetros da sede de concelho, a freguesia tem a maior parte das infra-estruturas básicas. Água, luz e saneamento existem há vários anos, mas a vila dispõe também de duas agências bancárias, farmácia, posto médico, estação dos correios e escola do primeiro ciclo, além de vários minimercados, cafés, restaurantes e lojas de vestuário, mobiliário e electrodomésticos.O sector escolar é uma das principais lacunas de Amiais de Baixo. Actualmente só existe escola até à quarta classe, altura em que os alunos são obrigados a transferir-se para Alcanede (até ao nono ano) e posteriormente para Alcanena ou Santarém. A junta de freguesia já tentou inverter esta situação, promovendo a instalação de uma EB 2,3, até ao nono ano, mas o projecto fracassou e a sua realização é cada vez mais difícil até porque o número de alunos está a decrescer, como acontece na maior parte do país.O sistema de abastecimento de água também precisa de algumas melhorias. A maior parte da rede já tem várias décadas e precisa de substituição. A junta local gostava ainda de ver construído um novo reservatório de água que assegurasse o abastecimento do precioso líquido em caso de ruptura. A renovação e ampliação da Estação de Tratamento de Águas Residuais, que tem cerca de duas décadas, é outro dos projectos a curto prazo.A Festa de Amiais, em honra do Mártir São Sebastião, é um dos marcos mais importantes da vida cultural e social da freguesia. Não é apenas uma festa no sentido do divertimento, mas também um momento de convívio familiar. Há mesmo quem diga que os amienses vivem mais a festa anual que o Natal. É na altura da festa, que se realiza sempre no fim de semana anterior ao de Carnaval, que a maior parte dos filhos da terra que vivem fora de Amiais regressam para estar com a família. O sábado é o dia mais forte dos quatro dias de festa, com uma enorme procissão e muito fogo de artifício.As festas, que se realizam desde 1847, atraem também muita gente das freguesias vizinhas. Há sempre artistas de renome e, nos últimos anos, passaram pela festa de Amiais de Baixo nomes como Rodrigo, José Cid, Marco Paulo, Carlos Paião, Fafá de Belém, Amália, Rui Veloso, Azucar Moreno ou Luís Represas, para citar apenas alguns. Este ano a maior atracção foi o músico Emanuel. Também por isso os orçamentos são sempre elevados e este ano a organização prevê gastar perto de 110 mil euros. A festa não tem propriamente fins lucrativos, mas há sempre algum lucro que é dividido pelas associações locais.Actualmente há cinco colectividades na freguesia: o Clube Desportivo Amiense, que se dedica essencialmente ao desporto; a Casa do Povo, que organiza vários espectáculos e tem uma escola de dança; a Associação de Solidariedade Social e Melhoramentos de Amiais de Baixo, que apoia diariamente cerca de 45 utentes, quer seja no centro de dia quer através de apoio domiciliário; a Associação de Caçadores; e a Associação Juvenil, que nasceu em 2001 e trabalha em conjunto com a Casa do Povo. Ainda recentemente organizaram, em conjunto, um festival de música.O centro de dia vai brevemente ter valência de lar, com 15 quartos. O projecto, que ultrapassará o meio milhão de euros, já foi aprovado pela junta e pela câmara municipal e o arranque da construção só depende do parecer positivo da Segurança Social, que vai financiar a obra.A concentração da construção no centro da vila coloca alguns problemas, os maiores dos quais a dificuldade de circular e a falta estacionamento. A Rua António Maria Galhordas, artéria central de Amiais de Baixo, é bastante estreita e o estacionamento de carros num e outro lado da faixa de rodagem dificulta bastante a circulação na zona. Para resolver o problema, a junta já aprovou em assembleia de freguesia que a referida via vai ter um único sentido (nascente-poente), uma mudança que deverá ser implementada brevemente e que se estenderá a mais duas ruas, que dão acesso ao Espinheiro e à escola primária.A distância para a sede de concelho, que demora cerca de meia hora a percorrer, é outro dos constrangimentos ao desenvolvimento de Amais de Baixo. Há muito que os autarcas da terra e das freguesias vizinhas reclamam uma via rápida para ligar a zona norte do concelho a Santarém e à auto-estrada número 1, mas a ideia teima em não avançar.
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