Ajudar a melhorar a comunicação
Rosaluz Herrera é terapeuta da fala há 15 anos
O trabalho da terapeuta da fala Rosaluz Herrera é ajudar as pessoas a comunicar melhor. Os professores com distúrbios da voz e as crianças com problemas articulatórios são os principais doentes da profissional que, há um ano, deixou São Paulo, no Brasil, para se fixar no tranquilo concelho de Azambuja.
É na pequena aldeia dos Casais dos Britos, no concelho de Azambuja, que vive a terapeuta da fala Rosaluz Herrera, 39 anos, que há cerca de um ano deixou o bulício da cidade de São Paulo, no Brasil, para se instalar na pacata vila portuguesa.O escritório, que a terapeuta montou na sua casa de campo, é um dos locais de trabalho. É lá que elabora os relatórios sobre os casos que acompanha e os programas de trabalho. Os dias da semana são divididos entre a Clínica Dr. Cruz Ferreira, em Azambuja, e a Clínica Dr. Cardoso Amaral, em Alenquer.A terapeuta, profissional há 15 anos, está a preparar uma reunião numa das escolas primárias de Azambuja, onde irá fazer uma triagem das crianças que ,eventualmente, necessitem de tratamento. Actualmente, está também a preparar um curso de formação para os professores da Escola Secundária de Azambuja que deverá começar em finais de Abril, intitulado “Educação vocal: uma questão de saúde”. O objectivo é que o professor aprenda a cuidar da voz para prevenir os distúrbios vocais que são tão comuns.O trabalho da terapeuta da fala passa pelo tratamento de todas as perturbações da comunicação humana, como são os distúrbios de voz, problemas de desenvolvimento de linguagem oral, ou escrita, ou problemas de estrutura facial.A profissional trabalha também nas maneiras de comunicação não verbais. “Temos toda uma parte gestual e corporal. A nossa forma de vestir fala, o sorriso fala e até o cheiro que emanamos fala”, descreve. Nas crianças surgem com frequência problemas de desenvolvimento da linguagem escrita e oral. “São crianças pequenas que não conseguem pronunciar foneticamente os sons. Apresentam omissões e distorções. Não conseguem ter o movimento adequado da musculatura para produzir o som. Há crianças que, muitas vezes, têm associados problemas da parte bocal e precisam de outro tipo de acompanhamento médico. Não conseguem dizer sapato ou cebola”.Rosaluz Herrera explica que a articulação infantilizada é aceite até determinado momento e até chega a ser estimulada pelo adulto, mas de repente chega-se a um estágio maior onde essa fala não é já admitida.“É normal que uma criança de quatro anos não diga ‘preto’. Mas não é normal que não fale ‘sapo’ e diga ‘chapo’. É um som que se estabelece cedo. Nesse caso precisa de intervenção”, explica.Com adultos surgem sobretudo os distúrbios da voz. “São os professores que são mais atingidos pelos distúrbios vocais. Hoje em dia, a disfonia vocal é considerada a doença do professor”. Com adultos trabalha também em casos neurológicos de acidente vascular cerebral com indivíduos que perde m a possibilidade de simbolizar. Quanto mais precoce for o trabalho com a linguagem oral mais fácil é o tratamento. As consultas podem demorar de 30 a 45 minutos, dependendo da actividade que está a ser programada. O ideal é que seja duas vezes por semana.A terapeuta faz questão de explicar o objectivo dos exercícios de forma a motivar os doentes. Muitos dos exercícios são feitos em casa. No caso da criança, a terapeuta procura saber quais são os hábitos para recomendar os exercícios. A altura de escovar os dentes, para treinar a força da língua, pode ser aproveitada para os exercícios. A terapeuta prefere não usar objectos e introduzir os exercícios nos gestos do dia a dia, como mastigar ou falar. “Peço para trazer uma sandes e trabalho a mastigação. Trabalho com gelatina e chocolate em pó”. A terapeuta gosta de todas as fases do trabalho, mas é o resultado que é mais gratificante. “É muito agradável observar uma criança que não pronunciava certos sons e de repente descobre que tem uma fala nova”.A terapeuta lamenta que este serviço não seja ainda totalmente comparticipado pelo Governo. “Há muita necessidade de terapia da fala fora da região de Lisboa e eu tenho tentado concentrar o trabalho na região onde moro”. A remuneração do trabalho é justa, mas a terapeuta acha incorrecto quando o profissional desvaloriza o trabalho e coloca um valor muito baixo.Rosaluz Herrera cresceu no Peru, mas viveu a maior parte da sua vida no Brasil. O “sotaque espanhol” nunca o perdeu completamente, mas garante que esse factor não interfere com o seu trabalho. “Eu não acredito no ensinar a falar, mas na possibilidade de se encontrar outros meios de comunicar. Temos o jeito velho e o jeito novo. Não existe o jeito errado”.Ana Santiago
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