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“Encerrámos o ciclo da infra-estrutura”

“Encerrámos o ciclo da infra-estrutura”

Secretário de Estado da Administração local deixou o “recado” em Torres Novas

O investimento em infra-estruturas desportivos só é válido se houver incremento da prática desportiva, que em muitos casos é a melhor forma de integração social de comunidades multi-raciais. Esta é a grande conclusão que se retira do Fórum sobre Autarquia e Desporto, que se realizou em Torres Novas e que juntou perto de duas centenas de pessoas.

O tempo de construir grandes infra-estruturas desportivas já lá vai e agora o desafio que se coloca às autarquias é a gestão equilibrada desses espaços, garantindo o seu uso pela população. A ideia é do secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, que participou no 1º Fórum sobre Autarquia e Desporto, organizado pelo Conselho de Opinião e que se realizou no dia 13, no anfiteatro da Escola Superior de Torres Novas / Colégio de Andrade Corvo, em Torres Novas.Segundo o governante, até aqui, com os fundos comunitários, não foi muito oneroso construir infra-estruturas desportivas, mas agora a situação é diferente. O dinheiro da Comunidade Europeia é cada vez menos e a preocupação dos autarcas tem de passar a ser a gestão dos equipamentos. Miguel Relvas deixou implícito que há municípios que não têm estrutura e capacidade para gerir o seu património desportivo e defendeu a realização de parcerias inter-municipais.O secretário de Estado realçou o baixo nível de qualificação da maioria dos funcionários públicos e revelou que o Governo tentou negociar com os sindicatos que os professores pudessem exercer funções nas autarquias como forma de debelar essas dificuldades, o que foi liminarmente recusado pelas associações sindicaisNuma mensagem destinada essencialmente a autarcas e dirigentes dos pequenos clubes, Miguel Relvas referiu ainda que as associações desportivas não podem ter exclusividade no uso dos pavilhões, defendendo a sua abertura à comunidade em geral, mesmo quando não está organizada em associações.O desporto como promotor da integração socialOutro dos intervenientes neste fórum foi o presidente da Câmara Municipal de Sintra. Fernando Seara, conhecido comentador televisivo que também é dirigente desportivo, veio trazer a experiência da sua autarquia, que apostou no desporto como forma de integração social, sobretudo da população mais jovem.O autarca começou por caracterizar o concelho que dirige e que é o segundo maior do país e o mais jovem de Portugal, com cerca de 48 mil jovens, dos quais 15 por cento não são de nacionalidade portuguesa. Olhando a estes dados, a estratégia da Câmara de Sintra passou por fomentar o desporto jovem. Houve uma aposta clara na construção de infra-estruturas, mas sempre acompanhada da por vezes desprezada questão da sustentabilidade da prática desportiva, ou seja, de nada servem os campos e os pavilhões se não forem usados pela população.Paralelamente, houve uma aposta no basquetebol, que permitiu que no ano transacto o Queluz fosse campeão nacional de juniores e que este ano esteja a disputar o título sénior nacional. Em troca do apoio à equipa, a Câmara de Sintra estabeleceu um contrato-programa com o Queluz, que obriga os jogadores profissionais a treinarem uma ou duas vezes por semana com os miúdos das escolas, o que aumentou não só a prática da modalidade, mas a assistência aos jogos da equipa. Reforçando o recado de Miguel Relvas, Seara defendeu que os pavilhões têm de ter uma utilização maximizada, pelo que é imprescindível a interligação entre o triângulo escolas, clubes e autarquias. “É uma responsabilidade que só depende de nós”, concluiu.Carlos Barroca, comentador desportivo e Director Geral do Desporto Escolar, frisou também a importância desta trilogia como vértice do desenvolvimento desportivo. Barroca que nasceu em Torres Novas e frequentou o Colégio Andrade Corvo defendeu o desporto como sendo a linguagem mais universal. “Há uma escola no país que tem alunos de 22 nacionalidades. Há concelhos em que, se não for o desporto escolar, não há oferta de práticas desportivas. A nossa função como educadores é criar condições para que as crianças possam praticar desporto”.Escolhido para representar os clubes de Torres Novas, Pedro Morte, presidente do Zona Alta resumiu as dificuldades do seu e dos outros clubes, que passam pelas muitas dificuldades financeiras, pela escassez de dirigentes e pelos custos dos exames médico-desportivos, entre outras.O Fórum sobre Autarquia e Desporto, foi organizado pelo Conselho de Opinião de Torres Novas, um espaço alternativo à mera discussão político-partidária apresentado no início do mês e que se propõe identificar e discutir tecnicamente os problemas e estrangulamentos do concelho, envolvendo as pes-soas e apresentado conclusões e propostas. É formado essencialmente por personalidades ligadas ao PSD e está já a preparar novo fórum, sobre outro tema.
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