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“Agarrou-me e deu-me um beijo na boca”

“Agarrou-me e deu-me um beijo na boca”

Julgamento do vereador António Fidalgo prosseguiu com a audição de uma das queixosas

Uma das funcionárias da Câmara de Tomar que acusa o ex-vereador António Fidalgo relatou na segunda sessão do julgamento algumas das cenas de assédio alegadamente protagonizadas pelo réu.

Edição de 21.04.2004 | Sociedade
Uma das queixosas do processo que tem como réu o vereador da Câmara de Tomar, António Fidalgo, acusado de coacção sexual a quatro funcionárias, disse segunda-feira na sessão de julgamento que o visado a beijou na boca. A assistente contou ainda ao Tribunal de Tomar que por várias vezes o autarca, que entretanto se demitiu do cargo, lhe agarrou as mãos às quais encostou o seu órgão sexual. Das várias situações que relatou na audiência, disse que a primeira vez que foi asse-diada sexualmente foi no período da Páscoa de 2001. No final de uma reunião, contou, o vereador “ao despedir-se agarrou-me e tentou beijar-me na boca, no corredor”. Eram cerca de 18h00 quando se deu o episódio e já não se encontrava ninguém nos serviços da câmara. Perante a pergunta do juiz presidente do colectivo, Vítor Amaral, sobre o que fez nesse momento, a assistente disse que saiu escadas abaixo. “Não disse nada porque fiquei estupefacta”, justificou.Alegando que a partir dessa altura começou a ter receio de ficar a trabalhar até mais tarde, a queixosa garantiu que António Fidalgo nunca lhe apalpou os seios, mas tentou várias vezes que se sentasse ao colo dele. Segundo explicou, ele chegava a pegar-lhe na cintura para a sentar nas suas pernas. O que acabou por se concretizar uma vez, conforme disse, porque “me apanhou distraída. Mas levantei-me logo”, alegou.O episódio do beijo na boca aconteceu numa altura em que a funcionária, que desempenhava as funções de secretária do vereador, ficou em casa com gripe. Foi o marido da queixosa, que na altura não sabia das alegadas coacções sexuais, que telefonou ao vereador a comunicar a doença, com este a prontificar-se ir visitá-la. “Abri a porta por uma questão de educação. Quando ele veio para se despedir agarrou-me e deu-me um beijo na boca. Empurrei-o e ele aí pediu-me desculpa pelo que aconteceu e disse que não sabia o que lhe tinha passado pela cabeça”, contou, acrescentando que o vereador habitualmente costuma despedir-se das funcionárias com dois beijos na face. Com um ar sereno, António Fidalgo ouviu ainda a assistente relatar casos em que este tentou apalpar-lhe as pernas. Situações que terão acontecido em viagens de carro para seminários e para visitas a escolas. Na altura em que ficou grávida, a queixosa alegou que o vereador mesmo assim não parou com as suas investidas. E lembrou que este colocava as mãos na barriga dizendo que as mulheres grávidas eram mais bonitas. Que as barrigas das grávidas o seduziam. De entre as descrições que fez ao tribunal, realçou que nos episódios de alegada coacção sexual o vereador preparava o gabinete, fechando os estores. E relatou que por vezes o espaço tinha um cheiro esquisito, que a levou a sentir-se mal disposta e a vomitar. O juiz presidente confrontou a assistente com o facto desta não ter denunciado a situação assim que começaram os assédios, tendo ela justificado que não apresentou queixa por “vergonha e falta de coragem”. No entanto argumentou que após o primeiro caso falou com a secretária do presidente da câmara e com Ivo Santos, na altura assessor de Educação, actualmente vereador do PSD, tendo alguns dos pelouros de ex-vereador Fidalgo. Na parte final da sessão, já perto das oito da noite, a queixosa disse que os assédios aconteciam com uma frequência de uma a duas vezes por semana. E que a última tentativa foi no dia 18 de Fevereiro de 2003. Como entrou em licença de parto esteve afastada da autarquia e quando regressou ao trabalho o vereador já não estava em funções. Na próxima sessão vai continuar a ser ouvida a mesma queixosa, desta vez com perguntas dos advogados de acusação e de defesa. A audiência está marcada para dia 17 de Maio, às 9h30, mantendo-se as restrições à assistência, só permitida a jornalistas identificados e advogados estagiários.
“Agarrou-me e deu-me um beijo na boca”

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