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Monumentos de primeira e de segunda

Monumentos de primeira e de segunda

Em Tomar há património bem cuidado e outro completamente abandonado

O Convento de Cristo foi o monumento de Tomar mais procurado por turistas no domingo, Dia Internacional dos Monumentos. Muitos desconhecem a sinagoga ou o Museu dos Fósforos, outros mostram-se desiludidos com a falta de cuidado, higiene e asseio de alguns locais, como o Aqueduto dos Pegões ou a Mata dos Sete Montes.

Edição de 21.04.2004 | Sociedade
“Isto hoje está mau para visitas”, refere Teresa Vasco, mulher do zelador da Sinagoga de Tomar, olhando para a sala vazia. No domingo, dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a reportagem de O MIRANTE foi a primeira a entrar num dos ex-libris da cidade de Tomar. A chuva que teima em cair afasta alguns turistas menos prevenidos das ruas da cidade. Como José e Marta Lencastre, alfacinhas de gema, que tomam a bica num dos cafés da Praça da República. “Queríamos ir ao Convento de Cristo, mas com dois filhos pequenos e a chover desta maneira vamos ter de adiar a visita”, diz José, enquanto tenta sossegar as crianças na mesa.De chapéu de chuva aberto, Joaquim Caracol olha para a placa informativa à entrada da Sinagoga, indeciso se há-de entrar. “Estou à espera de um telefonema de uns amigos para irmos almoçar”, diz, justificando a decisão de não entrar. É a segunda vez que visita Tomar. Há dois anos passou uns dias na cidade e teve tempo de conhecer vários monumentos. E, tal como no domingo, ficou desapontado com algum desleixo e falta de civismo que observou. Por exemplo na Mata dos Sete Montes onde, agora como há dois anos, as casas de banhos estão fechadas à chave, uma coisa “incompreensível”.Sabe que Tomar quer ser Capital Europeia da Cultura? - pergunta-se ao visitante, que olha com ar desconfiado. “Se assim é, ainda há muito para fazer por aqui”, diz Joaquim Caracol, dando como exemplo o Aqueduto dos Pegões, “tão bonito mas com acessos praticamente inatingíveis, cheios de silvas e mato”. Muitos turistas aproveitaram o tempo chuvoso para assistirem à eucaristia dominical na igreja de São João Baptista, conhecida de todos os portugueses desde que foi ali filmada a publicidade ao Euro 2004. “Já me vieram perguntar hoje se esta era a igreja que aparecia na televisão”, diz o proprietário de um bar da zona.Duas mulheres tentam fugir das poças de água na Várzea Grande, junto ao tribunal. Vieram numa excursão de Loures e andam à procura do Museu dos Fósforos, influenciadas por um amigo.A pequena placa que indica o caminho para o museu, situado dentro do Convento de São Francisco, passa despercebida a quem não conhece a zona. “Devia ser uma placa maior, pelo menos para mim, que vejo mal”, queixa-se Donzília Marques. Uma queixa esquecida quando olha maravilhada para as vitrines cheias de caixas e caixinhas de fósforos dos quatro cantos do mundo. Fórum romano escondido pelas ervas“Não há tempo para ver nada, já está na hora do almoço”, diz Mário Parreira, abrigado da chuva debaixo do alçado do tribunal e mais preocupado em saber que tal é a comida da Quinta da Gracinda, local do repasto do grupo de reformados do Zambujal, concelho de Loures.Na subida para o Convento de Cristo faz-se um desvio para visitar a Ermida de Nossa Senhora da Piedade, recentemente restaurada. Mas as portas estão fechadas. À entrada, pregado na casota pré-fabricada que serve de guichê, um papel com o timbre do Ministério da Cultura informa que, por falta de pessoal, a ermida se encontra encerrada a visitas entre as 11h30 e as 12h30.Uns metros mais acima, pelo portão de acesso ao Convento de Cristo passam dezenas de turistas, todos estrangeiros. Franceses, holandeses e alemães, vêm em excursões organizadas e não se cansam de tirar fotos aos jardins, porque lá dentro é proibido, pelo menos na famosa Charola.Seguindo a estrada do Convento de Cristo em direcção aos Brasões, aparece majestoso o Aqueduto dos Pegões. A magnificência do monumento perde-se todavia nas ervas e silvas que rodeiam as arcadas. Lá em cima, numa das “casinhas” de vigia, a vista exterior é soberba. No interior, restos de comida, sacos de plástico e limões velhos e espremidos deixam no ar um cheiro quase nauseabundo.Sophie e Olivier procuram no mapa da cidade onde fica o forum romano que alguém lhes disse existir. Esqueceu-se foi de adiantar que fica debaixo de um manto de erva e que só à foice e à gadanha se conhece descortinar o monumento. Margarida Cabeleira
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