O sonho de construir uma nova sede
Maria Leonor Parracho, presidente da Junta de Freguesia de Benavente
Uma junta de freguesia tem de ser um lugar acessível para todos, mesmo para os que têm maiores dificuldades de locomoção. Maria Leonor Parracho Domingos, a líder do executivo da freguesia de Benavente não se conforma com a localização da sede da freguesia num primeiro andar sem elevador. A presidente, eleita pela CDU, gostaria de deixar como marca da sua passagem pela autarquia a construção do novo espaço. “É um sonho que queria realizar e para o qual me tenho empenhado”, disse.A determinação e a coragem são características desta mulher de 45 anos que assumiu a presidência da junta a tempo inteiro no início de 2002. Desde então, a sua vida mudou radicalmente. No início sentiu que a mudança foi brusca demais e questionou mesmo se valeria a pena sujeitar a família a tão grande sacrifício. Leonor foi avó pela primeira vez, meses antes de ser eleita e gostava de acompanhar os primeiros passos da Joana.Com o andar dos tempos, e o apoio do marido e dos três filhos, percebeu que tinha de abraçar a missão. Adaptou-se ao novo ritmo de vida e ganhou entusiasmo.“ Não me arrependi. Sempre gostei de ajudar os outros e estando na junta posso fazê-lo com mais facilidade”, refere.Antes de ser presidente da junta, Leonor Parracho trabalhou um ano na Repartição de Finanças de Benavente, mas foi como escriturária na Casa Agrícola Sousa Dias que fez a sua carreira profissional. No escritório recebia muitos pedidos de ajuda de pessoas que tinham dificuldades de todo o tipo. Desde o idoso que deixou de receber pensão e não sabia resolver o problema, alguém que pedia para ler ou escrever uma carta até pedidos de auxílio financeiro para pessoas carenciadas. “Senti-a muito os problemas dos outros”, diz.Na junta de freguesia, Leonor Parracho não tem soluções para todos os problemas, mas encaminha as pessoas para os locais onde podem ser ajudadas. Todos os dias chegam pedidos e ninguém fica sem resposta. Nos últimos meses acentuou-se o número de atestados de insuficiência financeira. É mais um sinal da crise. A presidente é quase sempre a primeira pessoa a chegar à junta. Às nove da manhã já está no seu gabinete, sem ar condicionado, e nunca tem hora de saída. O dia de trabalho começa com a análise do expediente e a assinatura dos atestados e despachos, seguem-se as visitas às obras e os contactos para preparar iniciativas e resolver algumas situações pendentes. O atendimento ao público é sagrado e, mesmo sem marcação, quando aparece alguém mais aflito é recebido na hora. Terminado o dia de trabalho, muitas vezes, a presidente passa pelo pronto-a-comer e compra comida feita porque à noite há reuniões e iniciativas para as quais é convidada. A autarca confessa que não é uma entusiasta da cozinha, embora aprecie um bom cozido à portuguesa e um bacalhau com natas.Quando tem algum tempo livre, Leonor gosta de estar com a neta Joana e ir ao cinema e ao teatro. Mas é a ler que se sente melhor. É fã de José Saramago e já leu todos os livros do autor comunista. Adorou o “Memorial do Convento” e está a gostar de ler o “Ensaio sobre a Lucidez”, mesmo discordando do apelo ao voto em branco.Leonor Parracho ainda não é militante do PCP, mas admite que um dia, quando tiver mais tempo, poderá entrar para o partido que a escolheu como candidata. “Ser militante exige militância e eu actualmente não tenho tempo para dar”, explica. Não se considera política e prefere dizer que é uma cidadã ao serviço da comunidade. E para os que têm inveja do salário de presidente da junta, Leonor garante que se somar as novas despesas que derivam do exercício das funções, recebe menos que recebia antes de ser eleita. O salário da presidente é de 1310 euros (ilíquido). A autarca prescinde das despesas de representação (393 euros) num compromisso assumido com o restante executivo. Nelson Silva Lopes
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