uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Coleccionador e pintor autodidacta

Manuel Falcão, 85 anos
Começou a coleccionar peças há 19 anos e hoje tem um verdadeiro museu em casa. Manuel Falcão, 85 anos, nascido e criado na Moita do Norte, aprendeu a arte de funileiro com o pai e desse tempo tem uma infinidade de peças de lata - gasómetros e fogareiros, almotolias e candeias. Depois entrou para a CP. Nos armazéns da empresa, no Entroncamento, trabalhou 37 anos.Diz que foi juntando coisas porque gostava, umas peças comprava outras davam-lhe e, actualmente, tem vitrinas e prateleiras carregadas de objectos tão díspares como chávenas de porcelana, a utensílios agrícolas, passando por cristos crucificados, bonecas feitas em camisas de milho, vestuário, fechaduras ou candeeiros a petróleo.Manuel Falcão tem um passatempo muito mais antigo que vem dos bancos de escola: desenhar. E, neste campo, o espólio é ainda maior. Pinta a óleo, aguarela, lápis de cor, tinta-da-china ou carvão. No seu pequeno museu há paredes revestidas de quadros e as pinturas mais pequenas, do tamanho de postais, guardas em dossiês, coladas em folhas A4, protegidas por capas plásticas.“Passava horas a desenhar, já na escola só queria fazer bonecos”, diz com graça, adiantando que só depois de casado fez a quarta classe. “Estudei sozinho, fui a exame e passei”.Pelo meio ficou o tempo em que corria as terras das redondezas com uma máquina de projectar às costas. “Foi no tempo da guerra. Andávamos num carro velho. Tão velho que quando chovia tínhamos de abrir um chapéu-de-chuva, porque lá dentro chovia como na rua”, conta.Dessa época guarda alguns desenhos, num dossiê que intitulou a “História da minha vida”. “Está tudo aqui”. Retratos a carvão de conhecidas actrizes de cinema, algumas ainda do mudo, os diplomas, as peripécias caricaturadas do cinema ambulante.A caricatura também foi uma das áreas em que expressou a sua arte, “mas não tinha muito jeito”, diz. Gostava mais de pintar e desenhar. Pequenas gravuras retiradas de outros postais ou pedaços da sua terra. “Esta é a casa onde nasci e aqui a minha rua. Este é o meu pai e este aqui um bêbado cá da Moita que não queria que eu lhe fizesse o retrato. Demorei tempos a fazê-lo”.Manuel Falcão não tem filhos, pensou doar o seu espólio à Câmara da Barquinha que, em sua opinião, “não se mostrou muito interessada”, então já tomou outra decisão. “Vamos deixar isto a familiares, quando morrermos, depois eles decidam o que hão-de fazer”, conclui.

Mais Notícias

    A carregar...