
De refúgio de pescadores a terra de fogueteiros
Moita do Norte, a mais jovem freguesia de Vila Nova da Barquinha
O monumento ao fogueteiro, na rotunda em frente à sede da junta de freguesia, pretende homenagear todos os que trabalharam nas fábricas de pirotecnia que deram nome à freguesia Moita do Norte, a mais jovem do concelho de Vila Nova da Barquinha. A aldeia de ruas limpas e cuidadas alberga mais gente que a própria sede do concelho.
A Moita do Norte, lugarejo sobranceiro ao rio, era local de refúgio dos pescadores e barqueiros quando o Tejo transbordava as margens. Diz-se que os marítimos conseguiam ver pelas velas dos barcos quando as águas começavam a baixar, sinal de que podiam regressar à faina. Rezam as crónicas que esta terra deveria ter sido criada por marítimos e foram eles que acrescentaram “do Norte” ao topónimo do pequeno povoado para o distinguir da outra Moita, mais a sul, próximo do Montijo.Diz também a lenda que nesta terra nasceu o Madrugo, um homem destemido que conseguiu armar uma cilada às tropas napoleónicas, defendendo os bens e, sobretudo, as raparigas que os franceses forçaram a ir a um baile organizado por eles na capela da terra. O povo revoltou-se e o Madrugo à frente de um pequeno grupo de homens conseguiu provocar algumas baixas nas tropas invasoras, mas acabou por ser capturado e executado.Outras histórias se contam na Moita. O Cardal, um dos bairros da freguesia, foi construído na Quinta das “Oliveiras Grossas”, uma zona envolta em lendas de fantasmas, salteadores e coisas do outro mundo onde ninguém gostava de passar.Mas o certo é que Moita do Norte é a mais recente e a mais populosa freguesia do concelho de Vila Nova da Barquinha, em população residente. Foi criada em Fevereiro de 1988 por desanexação da autarquia da Atalaia e estende-se até à Barquinha, onde os limites continuam sem grande definição.Para o presidente da Moita do Norte este é um problema que é necessário clarificar. “Há zonas da Moita que pertencem à freguesia da Barquinha, mas que continuam a ser Moita e a prova é a fonte da Moita e áreas da Barquinha que pertencem à freguesia da Moita. Era bom esclarecer isto de uma vez por todas. E quanto mais tarde pior, porque a construção vai sempre aumentando”, afirma Fernando Aparício.Pelo censos de 2001, a Moita do Norte tem 2.080 habitantes, dos quais 1.650 são eleitores, e uma extensão de 7,13 quilómetros quadrados dispersos ao longo das principais vias de comunicação. No centro da aldeia, a maioria das habitações continua a ser composta por velhas casas de uma porta e duas janelas, pintadas de branco, com barras coloridas. Nos bairros mais recentes, Cardal e “Zona de Expansão”, predominam os prédios de apartamentos, principalmente no primeiro caso.A “Zona de Expansão”, com casas feitas em madeira, vindas do norte da Europa, nasceu para alojar os retornados de África e, actualmente, tem sinais evidentes de degradação. “É uma das nossas preocupações, sobretudo no que se prende com o arranjo das estradas. Há ruas que se tornam intransitáveis, sobretudo quando chove, e algumas casas estão em muito mau estado”, diz o autarca que espera que 2005 seja o “ano da Moita do Norte”. “Já houve um projecto que acabou por ser adiado por problemas orçamentais”, acrescenta.A freguesia possui as infra-estruturas básicas, água, luz e saneamento, tem as três escolas cheias de crianças, mas poucos trabalham na freguesia. Na Moita há o pequeno comércio, e pouco, as cerâmicas fecharam, tal como as fábricas de pirotécnia, que deram nome à Moita do Norte, e os lagares de azeite. Só os mais idosos continuam a cuidar dos bocados de terra, numa agricultura de subsistência. Mas o pior de tudo, segundo Fernando Aparício, é a escassez de transportes, principalmente para a população idosa. “É muito complicado. É preciso ir ao médico ou à farmácia e quem não tem transporte próprio tem de chamar um táxi. Precisávamos de uma boa rede de transportes públicos”, afirma.Igualmente preocupante é o reforço da iluminação pública. “Queríamos que a EDP lidera-se o projecto, e a junta ajudava como pudesse. Estamos a tentar resolver a situação”, esclarece Fernando Aparício.De resto, o autarca estava disposto a recuperar alguns símbolos da terra, mas para tanto é necessário o apoio da câmara. Um dos exemplos é a recuperação do depósito da água, o primeiro do concelho que hoje já não serve para nada. A água para abastecimento público é fornecida para EPAL.Margarida Trincão

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