uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Junta de cidade com problemas básicos

Junta de cidade com problemas básicos

Salvador é uma freguesia da cidade de Torres Novas onde ainda faltam esgotos e alcatrão

Apesar de a sua área ser maioritariamente urbana, a freguesia de Salvador, em Torres Novas, tem problemas iguais às de muitas aldeias do interior. Como a falta de saneamento básico e estradas por alcatroar.

A freguesia de Salvador é uma das mais pequenas da cidade e do concelho de Torres Novas. Com uma área rural bastante reduzida usufrui de alguns serviços camarários e encontra na falta de saneamento básico um dos seus principais problemas, tanto na zona urbana como na zona rural. Nas aldeias a junta tem investido sobretudo no alcatroamento dos caminhos. A freguesia abrange parte do núcleo histórico, estende-se pela Avenida 8 de Julho e volta para as Casas Altas. Na área rural conta com uma única aldeia, Alcorriol, e algumas habitações das povoações de Terras Pretas e Nicho dos Rodrigos e ainda a Ladeira do Pinheiro.Para Manuel Luís Escudeiro (PS), presidente da Junta de Freguesia de Salvador, a Ladeira do Pinheiro é uma das áreas onde a câmara tem dedicado pouca atenção, apesar do movimento que regista, já que é ali que está instalado o templo ortodoxo da conhecida “Santa da Ladeira”, já falecida. “Eu sou católico, mas reconheço que se o santuário da Ladeira do Pinheiro fosse católico já teria contado com o apoio da câmara e os acessos estavam arranjados”, diz. Recentemente, foi alca-troada a via que parte da estrada da Sapeira em direcção ao santuário, mas do lado da EN 3 o acesso continua a ser em terra batida e em cima de um curva de reduzida visibilidadade. Por outro lado, o bairro que cresceu ali não tem qualquer ordenamento. “Estou cansado de pedir um plano de pormenor e se há água e luz nessas habitações foi a junta que investiu com o apoio da Fundação Maria da Conceição”, confessa o autarca. Saneamento não existe, mas esta não é a única zona da freguesia de Salvador que não possui esta infra-estrutura básica.Mesmo na cidade nem toda a zona conhecida por Casas Altas, onde está localizado o estabelecimento prisional e dois lares da terceira idade, está coberta pela rede de saneamento. Também no Vale há moradias que não estão ligadas ao colector de esgotos. “Têm cotas mais baixas e era necessário construir uma outra estação elevatória”, explica Manuel Escudeiro.Em Alcorriol as águas residuais são acumuladas em fossas particulares que os serviços camarários ou outras entidades despejam a pedido dos proprietários. “A aldeia conta com menos de 450 habitantes e, segundo dizem, não há financiamento para instalação de saneamento”, justifica o presidente da junta adiantando que a câmara deveria organizar um serviço que, mediante um acréscimo na contagem da água, despejasse periodicamente as fossas.O Jardim das Rosas, na margem direita do Almonda, foi dos grandes melhoramentos feitos na freguesia, mas ainda estão em falta os arranjos no Pátio do Mário Leão, a Quinta da Lezíria, onde se situam as sedes de algumas das mais importantes colectividades da concelho – Choral Phydellius, Rancho Folclórico de Torres Novas e STEA – e no Almonda Parque.Na opinião do presidente da junta, o Almonda Parque deveria ser a prioridade das prioridades ainda por cima porque o terminal da Rodo-viária está praticamente concluído e o edifício vai ser ocupado por escritórios. “Aquilo não é uma obra de arquitectura é um espaço para escritórios e não há estacionamentos. Construam um silo ou o que quer que seja no Almonda Parque e deixem-se de grande projectos. Para isso cumpram a lei e façam espaços verdes e arborizados em todas as urbanizações”, critica Manuel Luís.As preocupações do autarca vão também para a Vila Pinho, na Rua Comandante Ilharco, onde há largos anos se projecta um arranjo para o espaço de estacionamento, normalmente ocupado por via-turas dos alunos da Escola Prática de Polícia.A população de Salvador decresceu no Censos 2001, mas a construção de novos edifícios na Avenida 8 de Julho e em Alcorriol, que tem fixado muitos dos seus naturais, vem invertendo essa tendência. A junta tem contribuído para a melhoria das condições de vida nas aldeias com o alcatroamento das vias: “Pavimentar uma ou duas ruas por ano, com a ajuda da câmara, é possível. Foi isso que fizemos e conseguimos alcatroar os arruamentos de Alcorriol”, afirma o autarca.A nível de equipamentos sociais, a população idosa da aldeia usufrui dos serviços do Centro de São Silvestre construído na vizinha povoação de Carvalhal da Aroeira, freguesia de São Pedro. A escola do ensino básico continua a funcionar, embora só oito crianças a frequentem. O passo seguinte são os estabelecimentos de ensino localizados na cidade, sendo o transporte assegurado pela Rodoviária do Tejo.À aldeia, por uma estrada sinuosa e estreita, chegam dois autocarros por dia, um de manhã outro ao fim do dia. As outras carreiras param na estrada nacional e os habitantes de Alcorriol têm de percorrer cerca de um quilómetro até chegar à povoação, pelo tal acesso cheio de curvas e sem electrificação. “Há anos que insisto para ser instalada iluminação pública nessa estrada, pensei que o restaurante e sala de casamentos que entretanto abriu em Alcorriol fosse a hipótese, mas nem assim”, lamenta o presidente.Se for candidato e ganhar as próximas autárquicas, Manuel Escudeiro gostaria de ver concretizadas muitas destas obras e a elas soma também o arranjo do Largo do Salvador e do cruzeiro. Um monumento arquitectónico que o autarca queria ver protegido para que os grupos de marginais não continuem a frequentá-lo. “Se o castelo tem horário de abertura e encerramento o cruzeiro também podia estar vedado e ter o mesmo horário”, conclui.Margarida Trincão
Junta de cidade com problemas básicos

Mais Notícias

    A carregar...