Doença da língua azul afecta actividades
Feira da Agricultura só vai contar com quatro jogos de cabrestos devido às restrições de circulação dos animais
As tradicionais provas de condução de cabrestos, que caracterizam a Feira Nacional de Agricultura, não se vão poder realizar este ano. A doença língua azul impede a circulação dos bovinos.
A doença conhecida por língua azul, que afecta o gado bovino, vai prejudicar as actividades da Feira Nacional de Agricultura, que decorre em Santarém 4 a 12 deste mês. As provas de condução de cabrestos estão em risco de não se realizar, segundo confirmou Moncada Cordeiro, da administração do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA). Moncada Cordeiro disse a O MIRANTE que a feira não vai contar com mais de quatro jogos de cabrestos. O que inviabiliza as provas de condução, que são uma tradição da feira desde as primeiras edições. “Mas vamos combinar com os campinos a realização de algumas brincadeiras. Vamos tentar fazer alguma animação”, garantiu. Com o nome técnico de Febre Catarral Ovina, a língua azul implica a tomada de medidas de protecção à circulação de animais porque, apesar de não ser uma doença muito grave, está no grupo das chamadas doenças perigosas. O ganadeiro Joaquim Grave, que colabora na organização da Feira do Toiro, em Santarém, explica que isso se deve ao facto da doença poder ser confundida com a febre aftosa.“A língua azul e a febre aftosa provocam lesões nos animais nas mesmas zonas do corpo, que é na boca e nas unhas”, sublinha Joaquim Grave. A febre aftosa, recorde-se, afecta ovinos, bovinos e caprinos e é altamente contagiosa. Mas não é transmissível aos seres humanos.Segundo explica Moncada Cordeiro, foram definidas no país zonas limpas da doença (língua azul) e zonas sujas (onde foram detectados animais infectados). Os animais que estão em explorações em zonas sujas, confinadas ao Alentejo e parte do Algarve, só podem circular dentro da sua zona. A circulação para dentro das chamadas zonas limpas é permitida se os animais forem abatidos de seguida. Pelo que a situação não afecta as corridas de toiros. As dificuldades do CNEMA em conseguir jogos de cabrestos para a feira tem a ver com o facto de a maior parte destes animais estarem no Alentejo. Neste caso, diz Moncada Cordeiro, “só podemos contar com os animais que estão acima do Tejo (Ribatejo) e que são poucos”. Este engenheiro do conselho de administração do CNEMA lamenta que em princípio só vai ser possível contar com metade das actividades que envolvem cabrestos. Segundo uma nota do Ministério da Agricultura, “as autoridades competentes estão alerta e apelam à calma por parte das populações já que se trata de uma doença não transmissível ao homem. Não se trata, portanto, de um risco à saúde pública. A doença da língua azul é específica dos ruminantes (ovinos, bovinos e caprinos) e o contágio é feito exclusivamente por um insecto do género culicóides inícola”.Na mesma nota informa-se que a situação está controlada dada a identificação atempada da suspeita de infecção. Os sintomas desta doença evidenciam-se nas vias respiratórias superiores. Os animais ficam com corrimento nasal, febre elevada e ocorre a congestão das gengivas provocando na congestão e edema da língua. Esta fica com uma tonalidade arroxeada (daí o nome da doença).
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