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Crescer para rejuvenescer

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Freguesia de Fajarda, Coruche, quer ganhar população com a alteração do PDM

A freguesia da Fajarda quer ganhar vida nova e jovens famílias. Alterar o Plano Director Municipal e melhorar o sistema de saneamento básico são condições essenciais para que isso suceda, já que não faltam boas estradas para aceder à freguesia.

Edição de 08.06.2005 | O poder local aqui tão perto
Freguesia vizinha de Salvaterra e a dois passos de Coruche, a Fajarda tem pouco mais de 50 quilómetros quadrados e cerca de dois mil habitantes, rodeados de uma mancha verde de sobreiros, pinheiros e eucaliptos.Criada em 1984, em desanexação da freguesia de S. João Baptista, a Fajarda foi pertença da Ordem de Aviz, por doação de D. Afonso Henriques. Fundada em 1898, foi adquirida pela família Roquette que ficou titular de Herdade da Fajarda por 1.710$00, após a remissão do foro anual de 120 mil réis que pagava à família Villalobos. O envelhecimento da população é uma das preocupações dos autarcas. “Temos 600 pessoas com mais de 65 anos e já vai longe o tempo das famílias com quatro e cinco filhos”, lamenta-se o presidente da Junta da Fajarda, Ilídio Serrador. A construção do centro de dia começa a dar os primeiros passos em termos de obra, mas aguarda-se pela confirmação do financiamento da Segurança Social para um projecto de mais de 300 mil euros, apto a dar apoio a 80 utentes, 40 dos quais em apoio domiciliário. Para mais tarde fica a valência de creche.O jardim-de–infância tem 25 crianças e 15 estão em lista de espera, enquanto a escola de primeiro ciclo, com quatro salas, alberga cerca de 70 alunos, mas não chega. Aguarda-se pela construção da prometida obra de ampliação do pré-escolar.Para a escassa fixação de jovens famílias muito tem contribuído um plano director municipal (PDM) com regras demasiado rígidas. Plano para o qual a junta também já propôs à câmara a criação de uma pequena zona industrial que atraia empresas de média dimensão, albergue as várias oficinas da freguesia e crie mais emprego. O terreno existe mas, para já, ainda não há decisão. Dois restaurantes, oito cafés, três mini-mercados, duas empresas de construção civil e oficinas de mecânica, serração e carpintaria dão uma ideia das actividades económicas desenvolvidas na Fajarda, onde a agricultura, com os campos de arroz, tomate, milho e beterraba do vale do Sorraia, ainda tem algum peso.Se há falta de jovens casais isso não se deve à qualidade e variedade de acessibilidades. Seja pela EN 114-3, por Salvaterra de Magos ou Coruche, ou pela EM 581, desde a Glória do Ribatejo, é fácil de encontrar a Fajarda. Lisboa, onde trabalha boa parte da população, está a 40 minutos de distância. E o nó da A13, nos vizinhos Foros de Salvaterra, bem como a construção do IC10 (Santarém/Montemor-o-Novo), aumentam o grau de atractividade da freguesia.Em matéria de arruamentos o panorama já não está tão desanuviado, com os cinco quilómetros prometidos pela Câmara de Coruche a poderem ficar-se, segundo o autarca da Fajarda, por 350 metros de uma travessa.A falta de saneamento básico continua a ser um problema na Fajarda quando, para Ilídio Serrador, a morfologia do território permite a criação de um sistema de esgotos e uma Etar a jusante. Para já a matéria é despejada para duas fossas colectivas que estão no limite e que poluem os cursos de água. Na sede da junta as salas destinadas a consultório, enfermagem e esterilização do posto médico estão vazias. A escassa distância a Coruche (cinco quilómetros) é o motivo invocado pela Sub-Região de Saúde de Santarém para inviabilizar a existência de uma extensão. O espaço está apenas a funcionar para a realização de rastreios e medição de tensão arterial. Para piorar, as pessoas que se deslocam ao centro de saúde, em Santo Antonino, estão ainda longe do centro da vila e têm que ir a pé ou pagar novo transporte. Não sendo muito populosa, a Fajarda tem uma vida associativa interessante, com a Associação Recreativa, Cultural e Desportiva Fajardense - que integra o Grupo Desportivo Fajardense, a disputar o campeonato do Inatel -, a Asso-ciação de Solidariedade Social da Fajarda, assim como uma associação de jovens, outra de caçadores e o Rancho Folclórico da Fajarda, agrupamento que tem percorrido o país e ilhas e é o ex-libris da freguesia.As quintas pedagógicas Cantar de Galo (destinada a crianças) e Alecrim aos Molhos, mais indicada para os idosos, costumam ser dois bons motivos para visitas ou excursões à Fajarda.Terra que conta com um belo parque de merendas, junto à sede da junta e que, de 10 a 12 de Junho, é palco das festas em honra de Santo António, padroeiro da freguesia. Com bailes, vacadas, espectáculos, jogos tradicionais, festival de folclore e salvas de foguetes e morteiros. Ilídio Serrador alegra-se de ter cumprido o que prometeu nos anos que leva como autarca, com estradas alcatroadas, equipando a junta, a construção das instalações sanitárias, assim como rampas de acesso de deficientes a locais públicos. Para o futuro, um dos objectivos a concretizar é a construção de um auditório e sala de leitura para recepção a individualidades ou actos mais formais. Ricardo Carreira
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