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A fama chegou na ponta dos dedos

Músico de Santarém entra no livro dos recordes após quase dois dias a tocar baixo

Valter Antunes vai inscrever o seu nome no famoso livro dos recordes “Guines Book”. O músico de Santarém esteve 43 horas seguidas a tocar viola baixo.

Edição de 29.06.2005 | Cultura e Lazer
Foi envolvido em palmas, por entre vivas, que Valter Antunes saiu do B’Art, o bar de Santarém onde esteve a tocar baixo durante 43 horas seguidas. O músico ultrapassou o anterior recorde inscrito no famoso Guiness Book por uma hora, no dia 21 de Junho, às 19h20, e a partir dessa altura o seu telemóvel não tem parado de tocar. São propostas para espectáculos, pedidos de entrevistas, felicitações… Afinal para se ser famoso é preciso tocar muito, até não se sentir a mão. “Das últimas horas não me lembro de quase nada”, confessa o artista três dias depois de se sagrar campeão e após dormir trinta horas, com pequenos intervalos para comer. Tem a pele da cara escamada. Diz que foi do nervosismo que teve nos momentos finais. “Fico assim quando estou sujeito a uma grande pressão”, diz tentando recordar-se dos momentos de glória. Por já estar bastante cansado, quase a cair para o lado, o músico de Santarém que queria ser famoso, não consegue vi-sualizar a imagem das pessoas que lhe deram os parabéns quando desceu de cima do sofá onde passou quase dois dias de viola nas mãos. Não se lembra inclusivamente do momento em que, sentado nas costas do sofá, se levantou para os últimos acordes. Da faixa na parede a dizer “a sua família apoia você”. Do movimento ao balcão de onde saíam imperiais para afogar o nervosismo do público entusiasta que enchia o bar. “Cerca de quatro horas antes entrei numa espécie de transe”, diz o músico ainda com um ar apático. E continua traçando os momentos a seguir a ter alcançado o recorde mundial. “Cheguei a casa sentei-me e adormeci logo. Dormi umas dezasseis horas seguidas e depois fui jantar com a família e os músicos que me acompanharam”. E voltou a dormir mais quinze.No pulso traz uma ligadura elástica. É a marca do esforço feito. O pior é o que não se vê. “Ainda ando cheio de dores na mão. Na quinta-feira passei o dia com dores de estômago”. Durante o tempo em que esteve a tocar, Valter ia recebendo alguma comida e água. Teve alguns momentos em que não conseguia andar. Mas valeu a pena o esforço. Muita gente passou pelo bar para ver o artista, para lhe dar apoio. Conseguiu mobilizar as pessoas, aguçar-lhes a curiosidade. Houve gente que passou dezenas de horas a ouvi-lo tocar. A bater palmas. Na última hora o bar já não tinha trocos. A cerveja estava a acabar. As pessoas estavam em delírio, saltando, cantando, de olhos postos na vedeta. Na quarta-feira, dia 22, tinha um espectáculo marcado mas não compareceu porque ainda era uma espécie de sonâmbulo. A primeira aparição em público depois do grande feito foi na sexta-feira. Um novo fôlego numa carreira que começou muito novo em Inglaterra. Que tem passado por cantar em bares, casamentos e festas. Agora avizinha-se um futuro com mais reconhecimento pelo trabalho que tem desenvolvido desde que aprendeu música em terras britânicas. Valter Antunes já foi convidado para programas de televisão, para entrevistas em rádios e há contactos de uma produtora de jazz que quer ouvir as músicas que tem nesta área. Afinal era isso que o músico queria. Afirmar-se como um profissional que sabe fazer outras coisas para além de tocar músicas de baile. O recordista, de 27 anos de idade, começou a ter aulas de música quando tinha 3 anos. Estudou música em Inglaterra onde fazia espectáculos e onde deu também aulas de música. Está em Portugal há quatro anos, tendo formado com o irmão David o grupo “Trincaspinhas”.Valter ainda colocou a fasquia nas 48 horas, mas por estar já bastante debilitado deixou de tocar assim que conseguiu fazer mais uma hora que o detentor do título, o músico argentino Guillermo Terraza, que, em Janeiro, tocou 42 horas seguidas.

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