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Uma história que ainda está por contar

Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira há 73 anos a pegar touros
Edição de 29.06.2005 | Cultura e Lazer
A história do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira ainda está por contar. Os pequenos estudos até agora feitos apontam para uma vida de 73 anos, mas as recordações dos vilafranquenses mais idosos aponta para outras datas e outros feitos. É por isso que Vasco Dotti, o actual cabo do grupo, pretende editar um livro, a lançar em 2007, na data das comemorações dos 75 anos, que faça a história completa do grupo. “Os historiadores da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira já estão a trabalhar na sua elaboração”. Do que se consegue confirmar sabe-se que o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira adoptou esse nome em 8 de Outubro de 1932, quando era então cabo Joaquim Franco. E é essa data que vai ser comemorada, embora para trás existam outras histórias e um nome que se agiganta, José Guerra. “Que terá sido um dos mais activos na formação do Grupo”, refere Vasco Dotti.Entretanto o Grupo passou por algumas vicissitudes e teve um interregno nas suas actuações de cerca de 12 anos. Em 1949 reaparece pela mão de um grande nome, José Lourenço, mas depois regista-se novo hiato. Mais tarde pela mão de Miguel Palha ainda aparece o Grupo Académico de Vila Franca de Xira.Já na década de sessenta, em período conturbado da guerra colonial, o cabo Vítor Santos volta a repor o nome de Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que se mantém até hoje. “São algumas nuances, que confundem a história, e em que os momentos conturbados que se viveram em Portugal obrigavam a uma mudança muito grande nos cabos e nos grupos”, explica Vasco Dotti.Mas a história do Grupo de Vila Franca é muito rica. Desde 1972, altura em que José Carlos Matos toma conta do grupo, afirmou-se como um dos mais fortes e mais dignos grupos de forcados do país.É uma história recheada de êxitos e o Grupo tornou-se no ex-libris de Vila Franca de Xira, levando o nome da cidade aos mais variados recantos do mundo. Vasco Dotti é forcado no Grupo desde 1986 e cabo desde 2002. Por isso também ele já passou por grandes alegrias e tristezas.A exigente população de Vila Franca de Xira dá todo o valor a esse trajecto e não se cansa de elogiar e valorizar o seu grupo. “Temos uma forte ligação com a cidade, a maioria dos jovens forcados são da cidade, mas temos também jovens de outras localidades. A nossa porta está sempre aberta aos jovens com valor”, garantiu o cabo.No Grupo de Focados Amadores de Vila Franca de Xira nunca houve dificuldades em recrutar jovens. “Temos um grupo juvenil, talvez o mais activo do país, que vai refrescando o grupo principal. Temos sempre entre 25 e 30 forcados em condições de representar o grupo como ele merece, e outros tantos estão na calha para entrar”, garantiu Vasco Dotti.A média de actuações por ano anda entre as 20 e as 30 corridas, um número que Vasco Dotti garante que não pode ser menor. “Menos do que esse número não me permite dar oportunidades a todos os forcados que tenho, e isso seria desmotivante e podia ter consequências sérias no seio do grupo, que este ano está a ter uma época de grande nível”.Mausoléu para o Ricardo Silva “Pitó” Na história recente do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira existe um momento de grande dor e tristeza que foi a morte do forcado Ricardo Silva, o popular “Pitó”. “Foi uma tragédia que abalou o Grupo que correu mesmo o perigo de se desmoronar”, diz com muita tristeza Vasco Dotti.“Pitó” morreu nos cornos de um touro, no dia 16 de Agosto de 2002, na Praça de Touros de Arruda dos Vinhos. A tristeza abateu-se sobre os seus companheiros e muitos deles resolveram abandonar as arenas. Vasco Dotti ficou com “o menino” nos braços. “Foi preciso lutar muito para não deixar cair o Grupo. E aí os jovens foram muito importantes”.Neste momento, é precisamente a homenagem a Ricardo Silva “Pitó” que está na ordem do dia. A construção de um mausoléu em sua honra está em fase adiantada. A obra, da autoria do escultor Rui Fernandes, tem a maqueta praticamente pronta, que será apresentada na Feira de Outubro “e na Festa do Colete Encarnado de 2006 será de certeza inaugurado”. Mas nas comemorações dos 75 anos há outras actividades em preparação. “Pelo que tem feito e pelo que tem passado o Grupo merece uma comemoração condigna, e algumas coisas estão mesmo a ser antecipadas”, diz Vasco Dotti.A Câmara de Vila Franca de Xira reconhece o que o Grupo representa para a cidade e para o concelho, por isso está desde o primeiro momento a acompanhar as comemorações e a ajudar no que pode. “No âmbito da autarquia ainda este ano vai ser inaugurado o monumento de homenagem ao forcado, que vai ser colocado junto à Praça de Touros de Vila Franca de Xira”, referiu o cabo.O alargamento da Tertúlia do Grupo é também uma ambição que está em vias de se concretizar. “Existe uma casa devoluta ao lado da nossa tertúlia, que a presidente da câmara já nos disse que pretende comprar de modo a podermos fazer a sua expansão, que esperamos possa ser inaugurada até ao ano das comemorações”, disse com esperança Vasco Dotti.

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