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Programas de recompra de acções mais do que duplicaram

Edição de 24.08.2005 | Economia
Os programas de recompra de acções mais do que duplicaram em 2004 em todo o mundo e devem continuar a crescer nos próximos anos, de acordo com um estudo dos consultores da McKinsey divulgado sexta-feira.O ano passado, os programas de recompra de acções (share buyback) somaram 230 mil milhões de dólares (cerca de 190 mil milhões de euros).Só nos três primeiros meses deste ano, esses programas já ultrapassavam os 50 mil milhões de dólares (cerca de 41 mil milhões de euros), sendo que em Portugal só a Portugal Telecom anunciou a intenção de avançar com um programa desse género este ano.Com o acumular de reservas em dinheiro nas empresas espalhadas pelo mundo, “todos os sinais apontam para o aumento da recompra de acções”, escrevem os consultores Richard Dobbs e Werner Rehm.Os programas de recompra de acções permitem às empresas reduzir o número de acções no mercado.Habitualmente, os gestores decidem avançar com esses programas para aumentar o valor das acções que permanecem no mercado, devido à redução da oferta desses títulos, ou para eliminarem ameaças que possam existir de accionistas que queiram ganhar uma posição de controlo.Como muitas vezes os programas de recompra de acções são feitos com um prémio face ao valor de mercado das acções, esta é também uma forma de remunerar os accionistas.A análise da McKinsey diz que as empresas que avançam para programas de recompra de acções em “pequenas quantidade” vêem o preço da sua acção aumentar entre dois e três por cento no dia do anúncio.Por outro lado, programas de recompra em maior escala, que envolvem mais de 15 por cento do capital, implicam habitualmente uma valorização da acção em 16 por cento.Os consultores defendem que apesar destas valorizações, os share buybacks habitualmente não geram mais valor para o accionistas, a não ser pela via fiscal e porque podem impedir o gestor de investir erradamente o dinheiro da empresa.Como a empresa utiliza dinheiro para recomprar as acções, deixa de ter uma activo que paga imposto, pelo que a eficiência fiscal melhora.Os consultores referem ainda que o programa de recompra vale muito pela informação adicional que normalmente proporciona aos accionistas.O anúncio do share buyback pode ser interpretado como um sinal de que o gestor, que tem informação privilegiada sobre os projectos futuros, entende que as acções da empresa se encontram subavaliadas.Além disso, pode também ser interpretado como um sinal de que a empresa não vai precisar do dinheiro para pagar dívidas ou outros compromissos ou para aplicar em novas oportunidades de negócio, situação em que o programa de recompra pode acabar por retirar valor às acções.Lusa

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