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Mestre Serafim das Neves

Mestre Serafim das Neves

Edição de 23.11.2005 | E-mails do outro mundo
A questão dos coordenadores do Centro de Área Educativa que ninguém sabe muito bem o que fazem é intrigante, mas faz parte de uma intriga muito mais vasta como sabes. Este país é um filme policial do princípio ao fim. A Administração Pública então é um maná no fornecimento de guiões. Eu falo em policiais mas no caso das escolas poderia falar em filmes de guerra. Há algumas que são mais blindadas que quartéis. Aliás acho curioso o que se está a passar. Nesta altura é mais fácil entrar num quartel e entrevistar um sargento do que entrar numa escola e entrevistar um professor. Eu lembro-me do caso desse Jardim de Infância que ainda não abriu. A presidente do agrupamento de escolas nem foi capaz de dizer ao jornalista quantos alunos eram afectados. Deve ser segredo do Estado. Concerteza que é segredo de Estado.Os jornalistas têm que perder a mania de fazer perguntas que impliquem riscos para a segurança nacional. É evidente que a senhora não poderia dar qualquer informação sobre o assunto. Todos nós sabemos que as organizações terroristas compram todas as semanas O MIRANTE para saberem onde atacar em força. E quem diz as organizações terroristas diz os pedófilos. É uma irresponsabilidade dizer seja o que for sobre as nossas escolas. A senhora professora que optou por não abrir a boca devia ser condecorada.Já lá vão os tempos das escolas abertas à comunidade. Da autonomia das escolas. Depois do 11 de Setembro temos que agir com mais cautela. O silêncio é de outro. A lei da rolha foi instaurada. Os presidentes dos agrupamentos fizeram voto de silêncio como os membros daquelas ordens religiosas que não abrem o bico durante uma vida inteira. Alguém tem alguma coisa a ver com o que se passa nas escolas? Alguém tem alguma coisa a ver com a educação? E um jardim de infância que não abre é assunto que interesse a alguém? A democracia é boa mas em tempos de paz. O mundo está em guerra e justifica-se o estado de sítio. O recolher obrigatório. Tu já reparaste que quando há conferências, congressos e debates em que o público alvo são professores as salas ficam vazias às cinco da tarde? O orador está a falar e de repente levanta-se uma centena e meia de pessoas e sai de roldão deixando o homem sozinho. Eu pensava que era desinteresse pelo que estaria a ser dito. Nada mais falso. Puro engano. É o respeitinho pelo recolher obrigatório.Serafim, como em todo o lado há quem não ligue a estas questões. Há professores que insistem em informar a comunidade. Em abrir as portas das suas escolas para que toda a gente saiba o que ali se faz. Sem tabus, nem mistérios. Mas esses que assim procedem são ovelhas ronhosas. Eternos insubordinados. Põem em perigo a nossa jovem democracia só porque se querem armar aos cágados. Um professor que se preze não deve fazer tal coisa. Há uma expressão que sintetiza bem o que eu quero dizer: “O respeitinho é muito bonito”. Um prófe que não se dá ao respeito está tramado. E há mais. Lembra-te do que diz o senhor Joaquim da mercearia: “O segredo é a alma do negócio”. E é pelo segredo que lá vamos Serafim. Pelo segredo. Pelo dogma. Quem detém a informação detém o poder. E já não digo mais nada. É que apesar de estar para aqui a escrever em código há sempre gajos nas novas polícias secretas capazes de decifrar isto. Nas secretas e nas escolas. Tu podes não acreditar mas há professores que sabem muita coisa. Sabem, mas não dizem…claro!!Um abraço escolástico doManuel Serra d’Aire
Mestre Serafim das Neves

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