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Suzette Mascata

24 anos, recém-licenciada em História, Azambuja

Somos um país estagnado. Ninguém arrisca, há muita burocracia para se fazer o que quer que seja e quem tem iniciativa encontra muitos obstáculos. Em Portugal ainda é normal colocar-se um amigo ou familiar em determinado cargo

Edição de 30.11.2005 | Agora falo eu
P - Está a perder-se o espírito verdadeiro do Natal?R – O Natal já não é uma época que se vive em pleno, mas uma estação de stress em que tem que se ter dinheiro para comprar prendas para toda a gente. É uma época cada vez mais materialista. Começa a haver um desencanto porque as pessoas sentem-se na obrigação de dar em vez de sentir o momento.P – Envia cartões de boas festas?R – Envio muitas mensagens de telemóvel porque é o mais prático, mais rápido e mais económico. Os e-mails também permitem criar mensagens muito engraçadas. Só utilizo os cartões em papel para desejar boas festas aos familiares que estão no estrangeiro. E também aos professores da faculdade com quem ainda mantenho contacto.P – Porque é que existe tanto desemprego?R – Acho que somos um país estagnado. Ninguém arrisca, há muita burocracia para se fazer o que quer que seja e quem tem iniciativa encontra muitos obstáculos. Em Portugal ainda é normal colocar-se um amigo ou familiar em determinado cargo... Acho que não se aposta nos profissionais que temos. Porque é que os licenciados não arranjam emprego em Portugal e chegam ao estrangeiro e são integrados em empresas? É uma questão que dá que pensar... P – Como é possível que a violência doméstica continua a fazer vítimas?R – Não consigo entender. Acho que as pessoas se sujeitam a muitas coisas quando têm filhos porque têm medo de não ser capaz de lhes garantir a subsistência. Esquecem-se que a violência que é exercida sobre a criança ou sobre a família é tão ou mais destrutiva que as dificuldades que a pessoa poderá eventualmente sentir que decidir mudar de vida. Não podemos aceitar a violência doméstica. Mas a verdade é que há a tendência para procurar desculpas e não aceitar a realidade.P - Já alguma vez pediu um livro de reclamações?R – Algumas vezes. Uma pessoa que está a fazer atendimento ao público não pode levar para o emprego os problemas pessoais. É preciso ser-se minimamente atencioso com o cliente. Ao nível dos organismos públicos é uma tristeza. Pedi alguns livros de reclamação porque as pessoas que encontrei foram desagradáveis, estavam mal informadas e não se preocuparam em dar a informação correcta. Muitos serviços estão assim porque os cidadãos ainda não se habituaram a reclamar os seus direitos.P - Com que figura gostaria de ir tomar um café?R – Embora já não seja possível, gostaria de ter passado uma tarde com o Dr. Álvaro Cunhal. E não tem a ver com cores partidárias. Talvez porque tenha feito um trabalho sobre o pós 25 de Abril e me tenha interessado particularmente por essa área. Em termos mais artísticos com o Diogo Infante. Acho que tem feito um excelente trabalho no teatro e cinema português.P - Se pudesse escrever um livro que tema escolheria? R – Por acaso nunca tinha pensado nisso... Talvez trabalhar sobre os artigos da PIDE. E fazer um apanhado de entrevistas com presos políticos ou então militares que estiveram no Ultramar. Acho que seria uma pesquisa interessante. Estamos no momento ideal para abordar os temas com mais rigor científico. Depois de uns bons anos de distanciamento.P – Qual o seu livro de cabeceira?R – Estou a ler “Anjos e Demónios” de Dan Brown. Ofereceram-me o “Código Da Vinci” no ano passado e adorei. Liga a pesquisa histórica com lendas. Cria ali um universo muito interessante que me agrada particularmente.

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