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Avisado Serafim das Neves

Edição de 20.12.2005 | E-mails do outro mundo
O que anda a fazer a Organização Mundial de Saúde na altura do Natal? Mete férias? Entra em greve? Demite-se das suas responsabilidades? Numa época destas com a saúde do mundo em risco aquela gente desaparece de cena?! Cala-se?! Mas que manto de silêncio é este que se abate sobre aquela e outras organizações? Onde param esses incansáveis defensores da saúde do povo? Porque não se ouve agora o discurso com que nos melgam o ano todo? Aquele discurso do colesterol; da diabetes; da hipertensão??? Têm receio de afrontar o Menino Jesus? Os Três Reis Magos? Os hipermercados? A Associação de produtores de filhós, rabanadas e afins? Não ousam atacar os poderes instalados?Esta situação leva-me a questionar a independência daquelas organizações. E não me venham com a cantiga das tréguas natalícias. Uma azevia é uma bomba calórica em qualquer altura do ano. A gordura dos fritos tanto entope artérias em Maio como em Dezembro. O açúcar das frutas cristalizadas do bolo-rei ou dos bombons Ferrero Rocher é tão nefasto para a diabetes a 25 de Março como a 25 de Dezembro. Que silêncio cúmplice é este? A época é santa mas que eu saiba não há registo de qualquer milagre de eliminação de substâncias nocivas dos alimentos na altura natalícia.Onde anda o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia? Onde param aqueles senhores dos programas anti-obesidade infantil? Onde se meteram os incansáveis voluntários da Associação Portuguesa de Diabéticos? Eu sei que tanto empenho cansa e que aquela gente merece férias, mas metam férias noutra altura, por favor. Em Janeiro, em Abril, em Setembro. Descansem na época baixa dos disparates alimentares. Não desapareçam agora. Nós, os eternos reincidentes do pecado da gula, precisamos de vocês. Não nos abandonem. Eu bem sei que ninguém liga aos vossos conselhos. Que todos fazemos orelhas moucas às vossas sensatas palavras. Mas se é assim quando vocês se esforçam e estão presentes imaginem o descalabro que o vosso silêncio provoca. Sem uma voz crítica a moer-nos o juízo entramos em roda livre a caminho do suicídio colectivo. Atafulhamo-nos até à agonia de tudo e mais alguma coisa. Coscorões, sonhos, velhoses, troncos de chocolate, pastelinhos de bacalhau, polvo frito passado por ovo, presunto, lombo de porco assado, leitão. Enfardamos sem remorso. Sem sentimento de culpa. E todos sabemos que uma digestão sem culpa dá passagem total a todos os agentes destrutivos do nosso organismo.Olhem para o exemplo da Brigada de Trânsito da GNR! Ela sabe escolher os momentos certos de entrar em cena. Férias, feriados prolongados, Natal, Ano Novo. No resto do ano até pode nem se dar por ela mas assim que há mais carros nas estradas aí está a Bêtê em acção. Ponham ali os olhinhos!!! Aprendam!!! Tenham pena de nós. Vistam as fardas e entrem-nos pela casa dentro a pedir documentos, licenças, análises completas ao sangue e à urina. Níveis de trigliceridos, de agás dê éles e de éles dê éles. Venham ser a nossa B.T. do Castrol. É Natal e o perigo espreita atrás de cada travessa. De cada terrina. De cada molheira. A seguir vem o Ano Novo e o Ácido Úrico contra-ataca. Façam ressoar os vossos conselhos nas nossas consciências adormecidas. Ameacem-nos a sério. Com Ávêcês e tudo. Interrompam as músicas de Natal das televisões para falar nos bons hábitos alimentares. Nas frutas e legumes, no pão integral, na comidinha sem sal. Eu agradeço-vos do fundo do coração… se o coração resistir a esta arritmia. E estou em crer que o Serafim das Neves também. Não é assim amigão??!!!Um abraço com cheirinho a canela doManuel Serra d’Aire

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