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Uma prenda recebida com emoção

Projecto dos Cegos e Deficientes de Santarém oferece cadeira de rodas a funcionário

Depois de um acidente lhe ter roubado a alegria de viver, Paulo Mendes descobriu o Projecto dos Cegos e Deficientes que agora lhe deu uma prenda muito especial.

Edição de 21.12.2005 | Sociedade
Antes de entrar na nova cadeira de rodas benzeu-se. Depois levou as mãos aos olhos para segurar as gotas de emoção por estar a viver o momento mais feliz, desde que ficou paraplégico devido a um acidente de trabalho. Paulo Mendes recebeu na quinta-feira uma cadeira de rodas eléctrica do Projecto dos Cegos e Deficientes (PCD), onde trabalha há dois anos. Paulo Mendes, natural de S. Vicente do Paul, Santarém, começava a ter problemas musculares nos braços devido à força que era obrigado a exercer nas rodas da cadeira que tinha para se deslocar. O proprietário do projecto (uma empresa que dá trabalho a cegos e deficientes), Andreas Schmidt, pegou numa parte dos lucros e comprou num leilão na Internet uma cadeira eléctrica para o seu funcionário. A entrega foi feita no antigo restaurante Nana, na Tapada, concelho de Almeirim, para onde o PCD se vai mudar.“Este foi o melhor presente de Natal que me podiam dar”, dizia Paulo Mendes que todos os dias está nas instalações da Tapada a supervisionar as obras e a executar algumas tarefas que a sua deficiência lhe permite. E depois de agradecer a Andreas Schmidt desabafou: “Ele é mais que um pai, foi um deus que apareceu na minha vida”. Antes de entrar para o projecto, Paulo queimava o tempo com cigarros que acendia uns a seguir aos outros. Entretinha-se nos cafés esperando que as horas passassem e encontrasse no sono da noite o sonho de uma vida com significado. Agora, confessa, recuperou a força de viver, a dignidade que andava perdida no desgosto de não poder fazer tudo o que queria. Foi na véspera de fazer 25 anos que a desgraça o atirou de um segundo andar. Na altura trabalhava como pedreiro no Algarve e passou a ser mais um dos muitos operários de construção civil que sofrem acidentes no trabalho. Actualmente com 39 anos, casado e com um filho, faz trabalhos de marcenaria no projecto, actividade que aprendeu quando era mais novo com o pai. Coloca também os pêlos nas vassouras que são fabricadas na empresa e que são vendidas no mercado. “Isto para mim nem é um trabalho, é antes uma casa de família. Agora sinto-me realizado”, ia dizendo enquanto dava umas voltas pela casa para experimentar os comandos da cadeira. O Projecto dos Cegos e Deficientes funciona há quatro anos em Santarém, em instalações na Avenida Bernardo Santareno. Visa criar e manter postos de trabalho para deficientes. Actualmente dá emprego a seis pessoas, mas a breve prazo o objectivo é aumentar o número de trabalhadores para 20. Além de vassouras, a empresa faz também brinquedos e utensílios de madeira.

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