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Renovado Manuel Serra d’Aire

Edição de 11.01.2006 | E-mails do outro mundo
Ainda ando zonzo dos festejos da passagem de ano. Mas não penses que foi do espumoso a que chamam champanhe, essa bebida que, para mim, só serve para combater a prisão de ventre. Estou atarantado, sim, porque andaram centenas de pessoas nas ruas de Santarém nessa noite.É verdade, meu caro, dessa vez a fauna do Jardim da República e a malta do gamanço tiveram concorrência da grossa. Até alguns comerciantes estiveram de portas a abertas, vê lá tu! E houve logo quem me desse na cabeça por me pôr a fazer futurologia e a dizer que era mais fácil o Garcia Pereira ganhar as presidenciais do que os cafés e bares estarem de portas abertas nessa noite.Realmente, se não visse não acreditava. E essas imagens chocantes ainda hoje me agitam o sono. O centro histórico da cidade cheio de gente à noite não lembrava ao Diabo. O mesmo Diabo que Moita Flores parece ter metido no corpo de uma cidade que vivia adormecida. Este vosso humilde servo Serafim das Neves penitencia-se e pede a insígnia de scalabitanos ilustres para os cafés que durante todo o ano fecham às sete da tarde e ao domingo, mas que aguentaram firmes e hirtos a noite de passagem de ano. Afinal de contas, o que é preciso é saber pedir. E Moita Flores pelos vistos sabe…A partir de agora, é legítimo acreditar em tudo. Que os cães vão deixar de se aliviar nos passeios e nos jardins, perante a complacência dos donos. Que os escalabitanos vão deixar de sujar as ruas. Que Rui Barreiro ainda é presidente da câmara.Valeu-me que a normalidade continuou a vigorar noutras latitudes e atenuou o choque. Por exemplo, em Alverca, os moradores que sofreram prejuízos devido às cheias de há dois anos receberam agora os cheques de compensação por parte do Estado. Esta urgência na resposta aos problemas é comovente e revela o espírito solidário de quem nos governa. Manel outra coisa que me surpreende são as “notícias” que ciclicamente aparecem nos jornais nacionais, regionais e locais. Porra! Estou farto de ouvir dizer que as esquadras da PSP do Cartaxo, de Ourém e de Vila Franca vão fechar. Que a Cavalaria vai-se embora de Santarém. Que vão ser extintas as freguesias com menos de mil habitantes.É tempo de passar das palavras à acção sob pena de os jornalistas perderem o crédito que lhes resta. Se as fontes oficiais andam a brincar com eles e a mandar papaias para preparar a opinião pública, então é tempo de pagar na mesma moeda. Não fecha o Governo as esquadras, fechem-nas os jornais.Como? Não podendo usar correntes e cadeado, simplesmente ignoram-nas. Os jornais concertam-se e a partir daí deixam de considerar como existentes essas esquadras, os seus polícias e os ladrões que lá vão malhar com os costados. Qualquer acontecimento que lhes diga respeito é omitido. Juramento de bandeira na Escola Prática de Cavalaria? Só se for em Abrantes! A junta de freguesia de Bardalhais Cimeiro vai promover um concurso Miss T-Shirt Molhada? Primeiro contem-se os habitantes. Se tiver mais de mil faça-se notícia. Sei que neste momento já tenho a cabeça a prémio e provavelmente as cordas esgotaram em muitas aldeias ribatejanas, mas para grandes males grandes remédios. Se os governantes andam a brincar connosco e com o povo, temos de lhes responder na mesma moeda. E, se for necessário, ignorando-os também. O que, no fim de contas, iria dar quase ao mesmo…Um abraço e tem cuidado com a sexta-feira 13 que aí vem.Serafim das Neves

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