
Generoso Serafim das Neves
No teu último e-mail falaste do Tejo, esse rio de areia e trampa, e veio-me logo à lembrança o nome do seu maior defensor, Jorge Lacão, pois claro. O tal que prometeu tornar o rio navegável no espaço de uma geração. Como ainda há muito tempo até que a geração do prometedor chegue ao fim e porque com a sua passagem de deputado a secretário de Estado as prioridades se alteraram, aí temos o Lacão agarrado à prostituição.Quem for às meninas e não se assegurar previamente que elas não estão a ser exploradas por chulos ou máfias, tunga, vai-se tramar. É esta a nova cruzada de Jorge Lacão. A minha dúvida é saber onde é que ela se encaixa na política de desburocratização defendida pelo Governo e no contexto do choque tecnológico.Calculo que José Sócrates já esteja com os cabelos em pé. Tu já imaginaste a burocracia que se vai instalar?! É de tirar a vontade a qualquer um. Um cidadão mais necessitado que aborde uma profissional vai passar a exigir-lhe um certificado que ateste que a mesma não está a ser traficada e que actua no pleno uso dos seus direitos sexuais. Hora e meia perdida a tratar da papelada e a reconhecer a assinatura num notário. O entusiasmo começa a murchar, certamente. E não só. Munido da declaração, da quantia a pagar e da caixa de preservativos poderia pensar-se que o necessitado eleitor tinha o caminho livre mas ainda há outras formalidades a cumprir caso se trate de uma partenaire estrangeira.Consciente das suas obrigações legais o cidadão necessitado deve verificar o passaporte da senhora para se certificar que está em dia e que a mesma está devidamente autorizada a dar umas voltinhas em Portugal. Aqui a ideia Lacão até poderá funcionar a favor da contenção orçamental uma vez que, sendo o comum cidadão a assegurar-se que tudo está legal, o Governo não terá que aumentar o número de elementos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.Umas horas mais tarde, com a declaração da senhora na carteira, a caixa dos preservativos no bolso e a certeza que o passaporte dela não é falso o cidadão começa a tentar lembrar-se do motivo porque anda de um lado para o outro com uma fulana que não conhece de lado nenhum. É fácil imaginar a discussão que se vai seguir. E lá estamos nós perante um problema de consumo. O cliente encomendou e recusa-se a consumir alegando que o atraso no fornecimento da mercadoria o fez desistir da encomenda. Lá vai ser chamada a DECO, o Instituto do Consumidor, etc, etc…Quando o Jorge Lacão veio com a regularização e navegabilidade do Tejo ninguém o levou a sério. Agora com esta da prostituição acontece o mesmo. Mas se assim é porque é que ele e outros como ele insistem na difusão de disparates? Será para fazer concorrência aos malucos do riso? E porque é que os cidadãos têm que ser responsabilizados pelo consumo de um bem (no caso um bem bom) que está a ser traficado? Será que também vamos ser responsabilizados quando descobrirem que o bife que comemos no restaurante entrou ilegalmente em Portugal??!!Caro Serafim das Neves, aqui tenho que dar razão ao presidente da Câmara de Alpiarça quando ele afirma que a culpa é sempre da Comunicação Social. Na verdade se os jornalistas não andassem sempre a interrogar-se sobre as actividades dos políticos estes poderiam dedicar-se com afinco àquilo que é a verdadeira vocação de todos nós. Não fazer nada. Olha, antes das cordiais despedidas deixo um reparo. Fiquei desapontado com a foto que ilustrava o teu último e-mail. Eu bem sei que a dedicaste às mulheres, mas caraças, tanto gajo junto e sem roupa?! Já não te basta o triste espectáculo de barrigas e cus peludos que temos que gramar quando chegamos aos balneários depois daquelas nossas jogatanas de futebol??!! Tem piedade, Serafim!!!Um bacalhau devidamente legal Manuel Serra d’Aire

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