uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Abrir as portas do emprego aos desfavorecidos

Abrir as portas do emprego aos desfavorecidos

Empresa social insere trabalhadores no mercado de trabalho

Inserir pessoas com dificuldades no mercado do trabalho é o objectivo da Associação para o Desenvolvimento e Emprego com sede em Vialonga. Com oito anos de vida, a ADE sobrevive com dificuldades devido à redução dos financiamentos.

Edição de 07.06.2006 | Sociedade
Quando Adelaide Mendes Tavares chegou a Portugal, vinda de Cabo Verde, viu-se na necessidade extrema de encontrar um emprego. O marido falecera há pouco tempo e tinha um filho menor para criar. No entanto, o facto de não estar legalizada dificultava a tarefa de arranjar trabalho. Foi então que ouviu falar numa empresa em Vialonga que ajudava quem tinha dificuldades em integrar o mercado de trabalho. Inscreveu-se e começou a frequentar o curso de jardinagem. Hoje, seis anos depois, diz que “a vida teria sido muito mais difícil se não tivesse encontrado esta oportunidade”. Adelaide Mendes Tavares é uma das 15 pessoas que trabalham na Vila Verde, uma empresa de inserção na área da jardinagem. Uma das empresas geridas pela Associação para o Desenvolvimento e Emprego (ADE), sedeada em Vialonga. As empresas de inserção têm como objectivo a reinserção sócio-profissional de desempregados de longa duração ou que se encontrem em situação de desfavorecimento em relação ao mercado de trabalho, como ex-reclusos, portadores de determinados tipos de doenças ou imigrantes em situação irregular. São apoiadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), que financia o investimento inicial e parte do ordenado dos trabalhadores.Foi o caso de Arminda Mendes Leal, de 48 anos. Há cerca de oito anos veio de Cabo Verde à procura de uma vida melhor e foi na Vila Verde que encontrou a resposta para os seus problemas. Conheceu a empresa através de colegas e inscreveu-se. Nunca lhe passou pela cabeça ser jardineira, mas hoje cortar relva, varrer os jardins ou regar faz parte do seu dia a dia. E Arminda Mendes Leal gosta do que faz.Também para Juvita Mendes Tavares, de 49 anos, a empresa de jardinagem “foi uma bênção que caiu do céu”. O facto de não estar ainda legalizada era um obstáculo para conseguir um emprego. Trabalha há cerca de sete anos na Vila Verde e, à semelhança de Arminda e Adelaide, integra os quadros da Vila Verde. Juvita tem uma esperança: chegar à idade da reforma a trabalhar na empresa que a ajudou quando chegou a Portugal. A Vila Verde é a única empresa criada pela ADE que tem mostrado ser rentável. Durante quatro anos foram os jardineiros das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, e actualmente têm à sua responsabilidade os espaços verdes da freguesia de Vialonga. A associação possui outras empresas de inserção, a @Design, empresa de design digital e comunicação que actua na área das novas tecnologias de informação e comunicação, que está “em standby”. Segundo Paulo Santos, responsável pela ADE, a associação está a negociar com o IEFP a reconversão da medida que suporta a criação das empresas de inserção, por considerar que apresenta algumas lacunas que inviabilizam determinados negócios. Nem sempre corre bemComo a lavandaria RoupaXira que por dar prejuízo vai suspender as suas actividades no final deste mês. Paulo Santos explica que a ADE pretende que sejam reformulados os moldes em que foi inicialmente pensada, para que a empresa possa ter futuro.Para quem trabalha na lavandaria o fecho da RoupaXira é uma má notícia. Susana Gonçalves, de 32 anos, vai agora enfrentar o desemprego depois de quatro anos a trabalhar na empresa de inserção. Estar desempregada há algum tempo e ser mãe solteira foram os dois factores que permitiram a sua entrada na empresa. Agora teme pelo seu futuro, já que continua a ter que sustentar o filho de 11 anos sozinha, e lamenta o fim da lavandaria. “Gosto bastante do que faço, tenho muita pena que a situação tenha chegado a este ponto”. Sara Cardoso
Abrir as portas do emprego aos desfavorecidos

Mais Notícias

    A carregar...