
Abrir as portas do emprego aos desfavorecidos
Empresa social insere trabalhadores no mercado de trabalho
Inserir pessoas com dificuldades no mercado do trabalho é o objectivo da Associação para o Desenvolvimento e Emprego com sede em Vialonga. Com oito anos de vida, a ADE sobrevive com dificuldades devido à redução dos financiamentos.
Quando Adelaide Mendes Tavares chegou a Portugal, vinda de Cabo Verde, viu-se na necessidade extrema de encontrar um emprego. O marido falecera há pouco tempo e tinha um filho menor para criar. No entanto, o facto de não estar legalizada dificultava a tarefa de arranjar trabalho. Foi então que ouviu falar numa empresa em Vialonga que ajudava quem tinha dificuldades em integrar o mercado de trabalho. Inscreveu-se e começou a frequentar o curso de jardinagem. Hoje, seis anos depois, diz que “a vida teria sido muito mais difícil se não tivesse encontrado esta oportunidade”. Adelaide Mendes Tavares é uma das 15 pessoas que trabalham na Vila Verde, uma empresa de inserção na área da jardinagem. Uma das empresas geridas pela Associação para o Desenvolvimento e Emprego (ADE), sedeada em Vialonga. As empresas de inserção têm como objectivo a reinserção sócio-profissional de desempregados de longa duração ou que se encontrem em situação de desfavorecimento em relação ao mercado de trabalho, como ex-reclusos, portadores de determinados tipos de doenças ou imigrantes em situação irregular. São apoiadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), que financia o investimento inicial e parte do ordenado dos trabalhadores.Foi o caso de Arminda Mendes Leal, de 48 anos. Há cerca de oito anos veio de Cabo Verde à procura de uma vida melhor e foi na Vila Verde que encontrou a resposta para os seus problemas. Conheceu a empresa através de colegas e inscreveu-se. Nunca lhe passou pela cabeça ser jardineira, mas hoje cortar relva, varrer os jardins ou regar faz parte do seu dia a dia. E Arminda Mendes Leal gosta do que faz.Também para Juvita Mendes Tavares, de 49 anos, a empresa de jardinagem “foi uma bênção que caiu do céu”. O facto de não estar ainda legalizada era um obstáculo para conseguir um emprego. Trabalha há cerca de sete anos na Vila Verde e, à semelhança de Arminda e Adelaide, integra os quadros da Vila Verde. Juvita tem uma esperança: chegar à idade da reforma a trabalhar na empresa que a ajudou quando chegou a Portugal. A Vila Verde é a única empresa criada pela ADE que tem mostrado ser rentável. Durante quatro anos foram os jardineiros das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, e actualmente têm à sua responsabilidade os espaços verdes da freguesia de Vialonga. A associação possui outras empresas de inserção, a @Design, empresa de design digital e comunicação que actua na área das novas tecnologias de informação e comunicação, que está “em standby”. Segundo Paulo Santos, responsável pela ADE, a associação está a negociar com o IEFP a reconversão da medida que suporta a criação das empresas de inserção, por considerar que apresenta algumas lacunas que inviabilizam determinados negócios. Nem sempre corre bemComo a lavandaria RoupaXira que por dar prejuízo vai suspender as suas actividades no final deste mês. Paulo Santos explica que a ADE pretende que sejam reformulados os moldes em que foi inicialmente pensada, para que a empresa possa ter futuro.Para quem trabalha na lavandaria o fecho da RoupaXira é uma má notícia. Susana Gonçalves, de 32 anos, vai agora enfrentar o desemprego depois de quatro anos a trabalhar na empresa de inserção. Estar desempregada há algum tempo e ser mãe solteira foram os dois factores que permitiram a sua entrada na empresa. Agora teme pelo seu futuro, já que continua a ter que sustentar o filho de 11 anos sozinha, e lamenta o fim da lavandaria. “Gosto bastante do que faço, tenho muita pena que a situação tenha chegado a este ponto”. Sara Cardoso

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