“Moda das Tranças Pretas” foi composta em Santarém
Duas gerações da família Câmara cantam fado na corrida de toiros de 16 de Junho
Sabia que a “Moda das Tranças Pretas” foi composta, nos anos cinquenta, num quarto de hotel em Santarém? A história é contada pelo autor, Vicente da Câmara, a propósito do espectáculo “Câmara, um nome duas gerações” que vai abrir a corrida de toiros de sexta-feira, 16 de Junho, integrada na Feira Taurina de Santarém.
Vicente da Câmara e os dois filhos, José e Manuel, vão juntar o fado à festa brava num espectáculo que abre a Corrida de Toiros Nova Gente, na noite de sexta-feira, 16 de Junho, na Praça Celestino Graça em Santarém. A ligação da família Câmara ao fado vem de muito longe. Vicente da Câmara, o patriarca, assistia, quando tinha 9 anos, aos ensaios da tia, a famosa fadista, Maria Tereza de Noronha. Com o fado a correr-lhe nas veias tinha o destino traçado. Foi depois de ter entrado na Emissora Nacional, aos 20 anos, que iniciou o seu percurso fadista. Hoje, com 76 anos, conta com um currículo infindável de fados compostos e espectáculos apresentados. Entre os seus sucessos está a “Moda das Tranças Pretas”, que compôs em meados dos anos 50 num quarto de hotel em Santarém quando estava de passagem na sua actividade de inspector numa petrolífera. O filho, José da Câmara, cedo seguiu os passos do pai. Aos 19 anos começou a carreira na revista “Lisboa, Tejo e Tudo!”, no teatro ABC, no Parque Mayer. Vinte anos depois recorda que já na terceira e quarta classe cantava. “Era o que tinha menos vergonha”. O fadista divide-se em espectáculos a solo e com o pai depois de em 2000 ter gravado com ele o disco “Câmara, um nome duas gerações”. Também actua com o irmão Manuel e o pai e com o grupo Quatro Cantos. Composto por Maria Armanda, Teresa Tapadas e António Pinto Basto. O quarteto de fadistas percorre o país e o estrangeiro há três anos, a cantar a história do fado.Manuel da Câmara foi o último a enveredar profissionalmente pelos caminhos da música. Há dois anos perdeu “um bocadinho da vergonha” e decidiu experimentar. “Fado Marialva” é o primeiro “rebento”, produzido em conjunto com Carlos Pegado e Rodrigo Pereira, que volta a juntar o fado à festa brava. Foi precisamente a sua paixão pela festa brava que levou Manuel da Câmara a sugerir a realização do espectáculo de sexta-feira com os três membros da família. O objectivo, diz, é “chamar pessoas à praça de toiros de Santarém”. Manuel da Câmara mora há 10 anos em Santarém e é um apaixonado pela cidade ribatejana. “É uma cidade muito simpática, onde se pode fazer tudo a pé e onde ainda se faz vida de bairro”, frisa o fadista novato. A actuação da próxima sexta-feira será a terceira em que os três se juntam num espectáculo só. Já em 2005 os Câmara marcaram presença na Feira Nacional de Agricultura e voltaram a actuar no São Luíz, em Lisboa, desta vez também com os netos de Vicente da Câmara em palco. Para o fadista septuagenário é “uma coisa francamente agradável” cantar com os filhos. Uma alegria que os filhos partilham, e que, segundo José da Câmara, faz emanar emoções.Para o espectáculo da Praça de Toiros Celestino Graça, os Câmara prometem “movimento”, que passa por nenhum dos elementos cantar sozinho. Sara Cardoso
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